Sociedade Brasileira de Infectologia alerta sobre ineficácia da cloroquina contra Covid-19

Entidade ainda informa que medicamento associado a azitromicina pode levar a morte em pacientes cardíacos

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) publicou nota na sexta-feira, 17, em que esclarece que até o momento, os principais estudos clínicos, que são os randomizados com grupo controle, não demonstraram benefício do uso da cloroquina, nem da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19 grave.

A entidade ressalta que a Organização Mundial da Saúde (OMS), a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA), a Sociedade Americana de Infectologia (IDSA) e o Instituto Nacional de Saúde Norte-Americano (NIH) recentemente recomendaram que não seja usado cloroquina, nem hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19. Exceto em pesquisas clínicas, devido à falta de benefício comprovado e potencial de toxicidade.

Deste modo, a Sociedade Brasileira de Infectologia também não recomenda o uso das medicações para tratamento em pacientes acometidos pela doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2.

A nota também diz que o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento nos primeiros dias de doença, em casos de manifestações leves e moderadas, ainda está sendo avaliado e se aguardam os resultados.

De acordo com um relatório preliminar, cuja publicação é aguardada para os próximos dias, de um grande estudo randomizado com grupo controle (Estudo RECOVERY), coordenado pela Universidade de Oxford na Inglaterra, que avalia várias terapias em potencial para a Covid-19, a hidroxicloroquina não teve benefício para pacientes hospitalizados.

Azitromicina

A entidade alerta também que a associação da hidroxicloroquina com o antibiótico azitromicina foi descrita em estudos observacionais e não trouxe benefícios clínicos. O uso combinado pode potencializar arritmia, com morte, especialmente em pacientes com doenças cardíacas.

A própria infecção pela Covid-19, diz a SBI, pode causar dano ao coração. “Também se deve levar em consideração que antibióticos não têm indicação em infecções virais; seu uso indiscriminado e inadequado favorece a resistência bacteriana. O potencial benefício clínico do efeito “antiinflamatório ou imunomodulador¨ da azitromicina
em pacientes com Covid-19 ainda está por ser comprovado”, diz a nota.

Corticoides

Por outro lado, a entidade reforça que, de acordo com relatório preliminar, mostra que o corticoide dexametasona aumenta a sobrevida em pacientes com Covid-19 grave que necessitam de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica, na dose de 6 mg/dia, com duração de até 10 dias.

A pesquisa randomizada completa, realizada pela Universidade de Oxford, está com publicação marcada para os próximos dias.

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