Sob protestos, Paulo Garcia autoriza obras do corredor da T-7

Prefeito passou rapidamente pela Praça da Feira, mas não discursou. Moradores e lojistas reclamam de possíveis prejuízos no comércio da região

O evento em que o prefeito Paulo Garcia (PT) autorizou o início das obras do corredor preferencial de ônibus da Avenida T-7 foi marcado por protestos de moradores e comerciantes na Praça da Feira do Setor Vila União, Região Sudoeste de Goiânia, na manhã desta segunda-feira (23/2).

Os lojistas reclamam que o comércio será prejudicado com a intervenção na Avenida dos Alpes. Eles cogitam uma possível fuga de clientes dos estabelecimentos ao longo da via, pois o estacionamento e a parada de veículos particulares do lado direito ficará proibido.

Segundo a prefeitura, as obras devem ser iniciadas na próxima semana com a criação da ciclovia no canteiro central.

Após conceder a primeira entrevista à imprensa, Paulo Garcia ficou frente a frente com os manifestantes, que solicitaram uma reunião. Omar Borges é presidente da associação de bairro e sugeriu o deslocamento do corredor para a Avenida Itália, no mesmo setor. A vantagem está no fato dela já ser alargada e concentrar menos pontos comerciais.

“Vamos fazer o seguinte: primeiro vocês se reúnem e se entendam. Aí, eu atendo vocês. Abraço!”, afirmou o prefeito, em meio ao bate-boca. “Você não depende disso [comércio]”, retrucou um comerciante. O petista estava cercado por populares, guardas municipais e jornalistas.

Domingos Sávio, coordenador dos corredores preferenciais da CMTC | Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

Domingos Sávio, coordenador dos corredores preferenciais da CMTC | Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

Para o coordenador dos corredores preferenciais da CMTC, Domingos Sávio Afonso, o processo de intervenção é dinâmico. “Tanto é que no corredor T-7, especificamente nas avenidas Assis Chateaubriand, C-12, C-4, T-9 e 85, o estacionamento foi restrito. E o comércio sobrevive”, argumenta. Conforme disse, as obras devem durar cerca de 12 meses.

Presidente da Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC), Patrícia Veras afirma que a demanda é recorrente. “A situação acontece em todos os corredores.  Principalmente pela falta de informação”, relata.

Pressa

Vaias e gritos de “vergonha” chamaram a atenção no momento em que Paulo Garcia assinava a ordem de serviço. A cerimônia durou pouco menos de cinco minutos e não houve discurso. Ao conceder a segunda coletiva, o prefeito destacou que manifestações pacíficas são legítimas. No entanto, lembrou que casos como o da última sexta-feira (20), em que houve depredação do patrimônio público e contra a imprensa, devem ser penalizados de forma contundente.

“Existem aqueles que preferem o atendimento dos seus desejos individuais em vez da coletividade. Mas estamos aqui para investir pesadamente e trabalhar pela maioria da população da cidade”, avaliou.

Paulo Garcia pontuou que a obra atende a uma demanda de 81 anos da cidade. E ainda criticou os responsáveis pelos protestos: “Os que são contrários ao corredor, à ciclovia e às calçadas acessíveis, me desculpem a franqueza… Estão ficando para trás da história”.

Obras

O Paço Municipal promete maior fluidez aos usuários do transporte coletivo e contabiliza que a obra irá beneficiar 103 mil pessoas, de 11 bairros. A prefeitura considera o corredor o segundo mais importante, perdendo apenas para o Eixo Anhanguera. No total, 13 linhas vão circular pelo corredor.

Da Avenida Alpes até a Rua Dona Gercina Borges, no Centro da capital, o asfalto será recapeado e serão instaladas 38 câmeras de monitoramento em tempo real, além de 12 a 15 conjuntos de radares de fiscalização eletrônica.

As calçadas serão readequadas para facilitar o acesso de portadores de necessidades especiais e em alguns trechos serão retiradas árvores.

Esta será a quarta obra do gênero, sendo que as avenidas Universitária, T-63 e 85 passaram pelo mesmo processo. A Jofege Pavimentação e Construção vai executar os serviços, orçados em R$ 30.899.857,55. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — Pacto pela Mobilidade, do governo federal

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Beatriz

Embora esse prefeito seja turrão, num ponto ele está certo, as pessoas tem a mania de olhar somente para seu umbigo, a coletividade deve prevalecer. Espero muito desse projeto, que não se torne uma decepção. Só faltou a fiação subterrânea, mas com a pior concessionária de energia do Brasil fica difícil