Sindicato dos professores apoia posse da nomeada por Bolsonaro para reitoria da UFG

Entidade que representa dos professores da Federal entende que intervenção federal na escolha da reitoria foi autoritária e um retrocesso

O Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) apoia que a professora Angelita Pereira de Lima assuma a reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG). Terceiro nome na lista tríplice enviada ao Ministério da Educação, a nomeação de Angelita pegou de surpresa a comunidade universitária goiana. Isso porque, historicamente, os presidentes do Brasil nomeiam o primeiro nome da lista, que é sempre o mais votado nas eleições das universidades. Nas urnas, a escolhida foi a professora Sandramara Matias Chaves.

Apesar de entender que o presidente Jair Bolsonaro (PL) desrespeitou a escolha da comunidade acadêmica, para Adufg Angelina é uma “docente séria e respeitada pela comunidade acadêmica” e, por isso, merecedora do apoio da categoria. “A entidade mantém sua indignação contra a intervenção do presidente Jair Bolsonaro na nomeação da nova reitora, mas acredita que, se ela recusasse o cargo, um interventor alinhado às ideias bolsonaristas poderia ser indicado, o que contraria totalmente os princípios de qualquer instituição de ensino pautada pelos princípios do ensino público, gratuito e de qualidade. Portanto, a docente contará com o apoio irrestrito do sindicato”, escreve a Adufg, em nota. Para a entidade que representa os professores da Federal, “a intervenção do presidente é um retrocesso feito por um governo autoritário que quer colocar em risco a estabilidade do ambiente universitário.”

A Adufg destaca também que o processo de escolha da profissional guardou absoluta harmonia com as normas legais e regimentais aplicáveis, bem como que a escolha recebeu parecer técnico favorável no próprio Ministério da Educação e teve apoio e reconhecimento de diferentes responsáveis sociais e políticas do Estado de Goiás. “Angelita Pereira de Lima é uma docente séria e respeitada por toda a comunidade acadêmica da UFG, que acabou encurralada por uma tentativa do presidente em causar instabilidade política dentro da universidade. Sua missão, agora, é conduzir a instituição de ensino e, para isso, ela contará com o apoio da categoria”, continua.

Diretora da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) Angelita Pereira de Lima, foi nomeada por Bolsnoro reitora da UFG para o mandato de 2022-2025. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União de terça-feira, 11. A atual vice-reitora da UFG, Sandramara continua no cargo como reitora em exercício até esta sexta-feira, 14. Apesar do apoio da entidade que representa os docents, ainda não há informações sobre a posse da nova gestão.

Bacharela em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo, Angelita é mestra em Educação Brasileira e doutora em Geografia pela UFG. Professora da UFG desde 2002, atua na docência com ênfase em produção de texto jornalístico, jornalismo literário e narrativas de vidas; jornalismo investigativo e de dados. É pesquisadora de gênero e direitos humanos e professora do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos.

Segue nota na integra:

A diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) informa que apoia a posse da professora Angelita Pereira de Lima como reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG). A entidade mantém sua indignação contra a intervenção do presidente Jair Bolsonaro na nomeação da nova reitora, mas acredita que, se ela recusasse o cargo, um interventor alinhado às ideias bolsonaristas poderia ser indicado, o que contraria totalmente os princípios de qualquer instituição de ensino pautada pelos princípios do ensino público, gratuito e de qualidade. Portanto, a docente contará com o apoio irrestrito do sindicato.

Angelita Pereira de Lima é uma docente séria e respeitada por toda a comunidade acadêmica da UFG, que acabou encurralada por uma tentativa do presidente em causar instabilidade política dentro da universidade. Sua missão, agora, é conduzir a instituição de ensino e, para isso, ela contará com o apoio da categoria.

O Adufg-Sindicato reitera, ainda, seu total repúdio ao governo Bolsonaro e lembra que o processo de escolha da professora Sandramara Matias Chaves guardou absoluta harmonia com as normas legais e regimentais aplicáveis. Sua escolha recebeu parecer técnico favorável no próprio Ministério da Educação (MEC) e teve apoio e reconhecimento de diferentes representações sociais e políticas do Estado de Goiás. Até mesmo candidatos que se submeteram à consulta à comunidade endossaram o processo democrático.

Para a diretoria do Adufg, Bolsonaro desrespeitou a escolha da comunidade acadêmica da mesma forma que desrespeita o povo brasileiro diariamente, com sua política desastrosa em áreas, como educação, saúde, economia, ciência e meio ambiente. A intervenção do presidente é um retrocesso feito por um governo autoritário que quer colocar em risco a estabilidade do ambiente universitário.

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