Servidores municipais cogitam greve geral

Educação, Saúde e Guarda Municipal já cruzaram os braços. Novo projeto de reforma administrativa da prefeitura e data-base são as maiores polêmicas entre as categorias

A greve da Guarda Civil Municipal e da saúde da Prefeitura de Goiânia ganhou o reforço dos  servidores da educação nesta terça-feira (14/4). A entrada principal e o interior da Câmara Municipal de Vereadores foi tomada pelos trabalhadores. Segundo representantes dos três sindicatos das categorias, a presença deles na Casa é uma forma de pressionar os parlamentares e o prefeito Paulo Garcia (PT).

A maior polêmica recai sobre o novo projeto de reforma administrativa enviada pelo Poder Executivo, que tramita no Legislativo desde a semana passada. O corte de 5% no pagamento de quinquênios é um ponto em comum da pauta de reivindicações.

O pagamento retroativo e integral da data-base de 6,28% de 2014 a todos os servidores era outro ponto de questionamento. O projeto foi aprovado em segunda e última votação nesta terça-feira sem as emendas que previam esses benefícios.

Edson Domingues de Araújo Júnior faz parte do Sindicato Municipal dos Servidores da Educação em Goiás (Simsed) e solicita o retorno de benefícios retirados em decreto publicado em maio do ano passado. “Não estamos pedindo o aumento de salário, mas sim a manutenção do que conquistamos nas greves passadas, mas que não foi cumprido.” Até o momento, o integrante do comando de greve da educação contabiliza 200 escolas e Centros Municipais de Ensino Integral (Cmei) parados. Cerca de 120 mil alunos estão sem aulas.

Marcos Queiroz está lotado na Guarda Civil, em greve desde o dia 9 de abril.  Ele afirma que as condições de trabalho são precárias. “A Guarda está sucateada, as viaturas foram recolhidas e [as que estão rodando] não têm plotagem de identificação. Sem contar com o plano de cargos e salários, que não foi pago totalmente”, reclama.

Flaviana Alves | Foto: Marcello Dantas

Flaviana Alves, presidente do Sindsaúde | Foto: Marcello Dantas

Flaviana Alves, presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Único de Saúde em Goiás (Sindsaúde), avalia que o início da paralisação é positiva, já que está havendo união entre as categorias. “Ou o prefeito negocia ou a greve continua. Estamos dispostos a negociar, mas se ele endurecer, vamos endurecer também”, ameaça.

Integrante da base do Paulo Garcia, Clécio Alves (PMDB) diz que é preciso haver diálogo para o entendimento entre as partes. “Mas o Poder Executivo tem que aprovar demandas possíveis de serem pagas”, pontua. O peemedebista diz ainda que o desgaste da imagem do petista faz parte do processo, já que ele tem de respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Na manhã de segunda-feira (13), Paulo Garcia não foi à prestação de contas relativas ao terceiro quadrimestre de 2014 alegando falta de segurança por conta da presença de servidores nas galerias da Câmara.

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