Servidores do HDT e Ceap-Sol realizam manifestação para reivindicar salário atrasado

Além do pagamento atrasado, servidores atestam falta de insumos e enfermarias interditadas na unidade de saúde

O pátio do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) foi palco, na noite desta quinta-feira, 27, de um movimento intitulado “Cadê meu Pagamento”. A mobilização contou com servidores administrativos, técnicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas das unidades HDT e Condomínio Solidariedade (Ceap-Sol) — ambos geridos pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG).

O movimento contou com o apoio do Sindicato de Enfermagem (Sienf-GO), Sindicato dos Enfermeiros (SIEG), Sindicato dos Nutricionistas (SINEG) e Sindicato dos Fisioterapeutas (Sinfisio-GO). Na ocasião, os líderes sindicais se comprometeram a elaborar um documento conjunto que será levado à diretoria do ISG e também para o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino.

Um enfermeiro do HDT que estava presente na mobilização relatou que nunca havia passado por um momento como esse. Para ele falta não só motivação, mas também “material para o desempenho de nossas funções e comida na mesa dessas famílias que estão com os salários atrasados”, ressaltou. O profissional espera ter seus direitos atendidos e acrescentou que será “impossível” trabalhar sem o pagamento.

Quanto a falta de insumos, outros servidores da unidade de saúde confirmaram à reportagem a precariedade enfrentada pelo Hospital. Segundo um servidor que preferiu não se identificar, além da falta de recursos, o HDT também se encontra com diversas enfermarias interditadas. As salas — que poderiam ser utilizadas para atendimento dos pacientes — estampam um cartazes que dizem: “em manutenção”.

ISG

A reportagem procurou o ISG que ressaltou, por meio de nota, que desde que assumiu o contrato de gestão em 2012 tem promovido “uma modernização e qualificação das unidades, com prioridade para uma assistência humanizada”. Segundo o documento, desde então “o HDT saiu de um estado de interdição ética pelo Conselho Regional de Medicina para a Acreditação ONA 2, a unica concedida a um hospital de infectologia  no Brasil”. 

Questionado sobre os repasses ao servidores, o instituto afirma que mesmo com os efeitos da crise econômica do país “afetando a regularidade dos repasses dos contratos de gestão”, desde o ano passado, a gestão das duas unidades tem procurado “priorizar ao máximo os salários dos colaboradores”.

Outro trecho da nota diz que, com base nas negociações com a SES-GO e
“confiando nos esforços do atual governo em promover o reequilíbrio dos contratos”, o ISG segue atuando para mitigar “assim que possível”, os atrasos salariais reclamados “tão logo receba o devido repasse do mês de junho”, pontua. O ISG não se pronunciou quanto as enfermarias interditadas no HDT.

SES-GO

Por sua vez, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) informa que tem mantido repasses regulares, ou seja, dentro do mês de competência, ao Instituto Sócrates Guanaes (ISG) conforme valores estabelecidos no contrato de gestão. “Neste ano já foram feitos repasses de cerca de R$ 28,5 milhões ao ISG para gestão do HDT. Os meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio estão rigorosamente pagos, de forma que o não pagamento de prestador ou trabalhador compete à gestão interna da Organização Social (OS) que gere a unidade”. 

A SES-GO informou, ainda, que existe a previsão de que o repasse referente ao mês de junho seja realizado nesta sexta-feira, 28, mediante liberação dos recursos do Tesouro Estadual.

Sobre sobre os leitos bloqueados para manutenção, “a SES informa que já entrou em contato com a OS que faz a gestão do hospital e cobrou apresentação de plano para reabertura”. Veja a situação reportada pelos servidores: 

 

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