Servidores da Santa Casa de Goiânia paralisam serviço por falta de pagamento

Hospital vive uma profunda crise financeira e chegou a reduzir o número de atendimentos para evitar uma interdição

Reprodução/Facebook

Funcionários do Santa Casa de Misericórdia de Goiânia paralisaram as atividades do hospital filantrópico na manhã desta segunda-feira (9/10) por conta do atraso no pagamento de salário. Os servidores teriam chegado à unidade, batido ponto e cruzado os braços em protesto. O atendimento voltou a ser normalizado ainda no final da manhã.

À reportagem, um dos integrantes do corpo clínico da unidade confirmou que os vencimentos deveriam ser pagos na última sexta-feira (6), o que não ocorreu. A diretoria do hospital alega que não possui dinheiro em caixa para realizar a folha de pagamento e aguarda o pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que ocorre mensalmente por volta do dia 10.

Conforme já mostrou o Jornal Opção nos últimos meses, o Santa Casa vive uma profunda crise financeira e chegou a reduzir o número de atendimentos para evitar uma interdição. Segundo relatos, desde meados de junho, são constantes as faltas de medicamentos no estoque da unidade, em especial antibióticos, além de materiais como fios de sutura para cirurgia, sonda, dreno e, em alguns casos, até mesmo luvas e máscaras.

Sendo administrado de forma interina desde o final de agosto — quando o então superintendente técnico José Alberto Alvarenga pediu demissão do cargo –, o hospital está agora sob nova gerência. Assumiu na última segunda-feira (3), com a promessa de melhorar a situação da unidade, a ex-secretária estadual de Saúde Irani Ribeiro de Moura.

A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia é mantida pela Sociedade Goiana de Cultura da Igreja Católica e quase que a totalidade dos atendimentos é de feita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Jornal Opção entrou em contato com a assessoria de comunicação dos hospital, mas, até a publicação desta matéria, não obteve retorno.

Risco de interdição

O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) definiu prazo de 90 dias para que a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia sane as deficiências do hospital. Caso as falhas estruturais, como reforma das enfermarias, não sejam resolvidas, a unidade pode ser interditada.

A data foi estipulada após proposição de assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que estabelece, ainda, 30 dias para solução de problemas emergenciais, como a falta de médicos.

No mês de agosto foi realizada uma vistoria na Santa Casa que constatou as falhas. Após nova avaliação no mês de setembro, o prazo para reformas foi anunciado.

De acordo com o Cremego, algumas medidas já foram sanadas e o centro cirúrgico e o pronto-socorro do hospital estão funcionando, embora com a capacidade de atendimento reduzida.

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