Servidores da Educação registram Boletim de Ocorrência contra militantes petistas por episódio de violência

Funcionários da prefeitura foram manifestar na Assembleia Legislativa enquanto ocorria a convenção do PT. Eles teriam sido agredidos quando tentaram adentrar o local

O confronto entre servidores municipais da educação de Goiânia e militantes do PT na última sexta-feira (27/6) motivou o registro de um boletim de ocorrência nesta segunda-feira por parte dos funcionários da prefeitura. Registrado em nome do professor Hugo Alves Rincón, o BO foi feito no 8º Distrito Policial de Goiânia.

Na ocasião do confronto, diversos petistas e partidários realizavam na Assembleia Legislativa a convenção para a homologação da candidatura de Antônio Gomide ao governo do Estado. Os servidores da Educação, que estão de greve desde 26 de maio, foram ao local protestar já que não estariam sendo recebidos pelo prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT). Houve uma tentativa de invasão no local, e os militantes petistas revidaram com socos e empurrões, deixando manifestantes feridos e sangrando. Uma servidora desmaiou no local. Nenhum militante ficou ferido.

Hugo disse ao Jornal Opção Online que foram sete os profissionais agredidos, tanto homens e mulheres. Ele disse que as filmagens e fotografias feitas no local vão ajudar na apuração do caso e responsabilização dos autores.

O delegado Waldir Soares, do 8º DP, relatou que encaminhou os servidores para que fosse feito um relatório médico e, em seguida, para o 4º DP, da região onde ocorreu o caso, para que façam um Termo Circunstanciado de Ocorrência. Segundo ele, os laudos atestam hematomas e lesões nos servidores.

No BO, consta que os manifestantes foram ao local protestar em favor da abertura de negociações e contra o corte de pontos anunciado pelo prefeito. As agressões ocorreram na rua em frente à Assembleia e do lado de dentro, no saguão e no plenário.

Hugo acusou uma pessoa identificada apenas como Leandro, que seria assessor do deputado Mauro Rubem e estudante de Ciências Sociais da UFG, por incitar a confusão. Outra pessoa apontada como uma das agressoras é a presidente do Sintego, Maria Euzébia de Lima, que teria tomado cartazes e faixas dos manifestantes.

Segundo Hugo, ao entrarem na Assembleia, a porta estava aberta e não havia seguranças. O impedimento de que permanecessem no local começou depois que a confusão já havia iniciado.

Para um dos militantes do PT envolvidos na confusão, Vladimir Durão, os grevistas chegaram “invadindo e jogando água”. “Partimos para a briga”, disse. Em seu entendimento, os manifestantes que estavam ali são apoiadores do governador Marconi Perillo (PSDB) e queriam causar confusão no evento petista. Tais afirmações são refutadas pelos servidores, que declaram o movimento de greve como apartidário.

Os servidores da Educação municipal deflagraram greve no dia 26 de maio, sendo que estão ocupando a Câmara Municipal desde o último dia 10. Inicialmente a categoria pedia pelo cumprimento integral do acordo firmado entre a Prefeitura de Goiânia e os educadores no final da última paralisação. Entretanto, a pedido da secretária de Educação, Neyde Aparecida, o comando de greve reduziu a pauta de reivindicações em três itens: o pagamento do retroativo do piso salarial e das titularidades, estabelecimento de gratificação de 30% para auxiliares e o cumprimento da data base para os servidores administrativos.

Esta semana o presidente da Câmara de Goiânia, Clécio Alves (PMDB), suspendeu o pedido de reintegração de posse do plenário da Casa. O motivo seria que Clécio irá tentar buscar uma saída pacífica para a resolução do impasse. A categoria reclama que o prefeito não está aberto para o debate. No último dia 20 a prefeitura, juntamente com a Secretaria de Educação, protocolou um documento no Ministério Público de Goiás (MPGO) que deveria ser uma contraproposta da prefeitura para o fim da greve. O documento, entretanto, não trouxe nenhuma novidade e nada efetivo para a categoria.

[ATUALIZAÇÃO] A assessoria de imprensa do deputado Mauro Rubem informou à reportagem que o Leandro citado no B.O. não faz parte da equipe do parlamentar. Ele seria Leandro Dias, um militante histórico do PT que, no entanto, não presta serviços a nenhum político do partido.

A assessoria alegou que ao tentarem vincular Leandro ao deputado Mauro Rubem, os grevistas agem de má fé no intuito de prejudicar seu mandato.

bo

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