Servidores consideram entrar na Justiça para obrigar gestão Iris a pagar data-base

Prefeitura se nega a conceder reposição salarial de 2017 e abre guerra com funcionalismo 

Servidores durante manifestação no Paço Municipal | Foto: Bruna Aidar / Jornal Opção

A gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB) parece não ter percebido, mas abriu uma verdadeira guerra com os servidores municipais. Isso porque, mesmo com capacidade financeira, se nega conceder a data-base de 2017 na integralidade.

Em audiência pública na Câmara Municipal na última sexta-feira (4/8), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) garantiu que a Prefeitura de Goiânia tem condições de dar reajuste de até 20% para os servidores municipais sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

No entanto, o vereador Romário Policarpo (PTC), que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (SindiGoiânia), relatou, ao Jornal Opção, que as negociações não avançam. “Existe um impasse desde maio em relação à data-base por uma lei de autoria do próprio Iris [Rezende] que determina o pagamento da reposição até o dia 1º de maio”, explicou.

Mesmo assim, o Paço não aceita pagar os 4,08% da inflação a todo o funcionalismo. Propôs, primeiro, 3,99% (retroativos a maio), que seriam parcelados; depois, se dispôs a um reajuste de 4,08%, mas apenas a partir de setembro. “Estamos aguardando uma nova proposta, que seja justa. Se não, consideremos entrar na Justiça para garantir que a prefeitura pague a data-base”, arrematou.

Antes do recesso parlamentar do meio do ano, os vereadores aprovaram o reajuste da inflação a todos os servidores da Câmara Municipal de Goiânia. Falta, agora, a gestão Iris Rezende encaminhar o texto que concede a reposição salarial aos demais funcionários públicos.

Manobra

Nos corredores da Câmara, os vereadores suspeitam que Iris Rezende prepara uma verdadeira “pegadinha atômica”. Se os servidores ameaçarem entrar em greve geral, dará o pepino para o Legislativo descascar: enviará um projeto da maneira como quer, concedendo o reajuste aos servidores, mas sem retroativo.

Assim, se votarem contra o projeto, a prefeitura dirá que a culpa é dos vereadores pelo não reajuste; se votarem favoráveis, os servidores os culparão pelo não pagamento do retroativo, como manda a lei.

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