Servidora da SMT é questionada sobre doação para campanha de Andrey Azeredo

Ouvida por comissão, ela teria negado envolvimento com partido ou políticos, mesmo tendo doado um dos maiores valores para o ex-presidente da pasta durante eleição

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Goiânia que investiga possíveis irregularidades na Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) ouviu nesta segunda-feira (24/4)  a ex-diretora administrativa e financeira da pasta e funcionária efetiva da prefeitura Patrícia Duarte.

Ela foi convocada a prestar esclarecimentos a respeito do contrato para fornecimento de 7.150 cavaletes à prefeitura entre 2015 e 2016. Ela foi a responsável pelo pagamento das notas fiscais de compra dos cavaletes e disse que o fez mediante formalização e certificação prévia do Controle Interno do órgão.

Durante a oitiva, entretanto, Patrícia acabou tendo que responder por uma outra situação que chamou a atenção dos vereadores membros da CEI. Conforme constatou parlamentares, a servidora pública teria omitido a informação de que seria ligada a algum partido ou políticos, mesmo tendo sido uma das maiores doadoras da campanha de 2016 do vereador Andrey Azeredo (PMDB).

Antes de ser eleito vereador, o atual presidente da Câmara Municipal foi presidente da SMT entre junho de 2015 e março de 2016. Segundo registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a doação no valor de R$ 8 mil foi a quarta maior quantia recebida pela campanha do peemedebista, se desconsiderarmos doação própria do então candidato, e correspondeu a 5% do montante de doações.

“Fui orientada pelo meu contador a fazer uma doação para alguma campanha em função da isenção do imposto de renda, pois ele me disse que a doação poderia ter isenção”, disse aos membros da comissão. A justificativa da servidora, porém, foi prontamente desmentida pelo presidente da CEI, vereador Elias Vaz (PSB): “Isso de isenção não existe”.

“Na minha concepção, a senhora omitiu informação quando disse que não tem ligação com nenhum político ou partido. Fui candidato e sofri muito para conseguir doações. Quem doou para minha campanha foram pessoas que me conhecem há anos e acreditam no meu trabalho e, mesmo assim, foi difícil conseguir doações expressivas como essa”, disse o vereador Lucas Kitão (PSL). “Para mim, quem doa é porque apoia o candidato”.

Patrícia Duarte admitiu ter omitido a informação em um primeiro momento porque, segundo ela, apesar de ter doado o dinheiro, não participou da campanha de nenhuma outra forma. Ela reiterou que a doação foi feita sem nenhum condicionamento.

“A minha escolha de fazer a doação foi pessoal, por ser uma pessoa que já conhecia profissionalmente. Em nenhum momento fui abordada para fazer qualquer doação. A fiz de maneira espontânea. Quando disse que não fiz campanha foi por entender que não participei de eventos, não pedi votos para qualquer candidato. Isso eu realmente não fiz”, justificou.

Em nota à reportagem, a assessoria de imprensa do vereador Andrey Azeredo informou que a prestação de contas do parlamentar foi aprovada, sem ressalvas, pela Justiça Eleitoral. Sobre detalhes da doação da servidora em questão, o parlamentar informou que a resposta já foi dada por ela na reunião  da CEI. “Ressalta-se que não há impedimento legal e nenhuma vedação para que servidores públicos façam doações em campanhas eleitorais”, diz a nota. Confira na íntegra:

A prestação de contas do vereador Andrey Azeredo foi aprovada, sem ressalvas, pela Justiça Eleitoral. A prestação de contas é um documento público e a lista de doadores pode ser consultada, por quem tiver interesse, nos tribunais eleitorais. Sobre detalhes da doação da servidora em questão, a resposta já foi dada por ela na reunião de hoje da CEI. Ressalta-se que não há impedimento legal e nenhuma vedação para que servidores públicos façam doações em campanhas eleitorais. A relação com a servidora citada foi apenas de cunho profissional. O vereador Andrey Azeredo recebeu apoio voluntário de dezenas pessoas que acreditaram em suas propostas para Goiânia e, por certo, dentre essas pessoas devam estar servidores públicos de todas as esferas: federal, estadual e municipais.

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