Sergio Moro: “Não serei candidato à Presidência”

Juiz visto como solução para o Brasil por boa parte da população afirma que “não se vê com o perfil” para o cargo

Juiz federal Sérgio Moro em participação no Fórum Mitos & Fatos – Justiça Brasileira/Gabrielli Mendes/Jovem Pan

Um homem que pode colocar o Brasil no caminho certo, punindo os corruptos e devolvendo a esperança ao povo brasileiro. É assim que o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, tem sido visto por boa parte da população, principalmente depois que ele condenou o ex-presidente petista Lula da Silva a nove anos e meio de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Por essa razão, institutos de pesquisa têm colocado Sergio Moro nas listas de possíveis nomes que serão candidatos às eleições presidenciais de 2018. Mas o juiz reforçou sua posição de que não será candidato, durante participação no fórum Jovem Pan Mitos & Fatos, nessa terça-feira (15/8), em São Paulo: “Acredito que há de se ter um perfil e não me vejo com esse perfil. Fiz uma escolha pela magistratura.”

Mas o juiz paranaense rasgou elogios à política: “A profissão política é uma das mais belas. Nós eventualmente temos imagens pejorativas por eventuais escândalos criminais, mas existem muitos bons políticos”.

As informações são do site Jovem Pan Online.

O tema principal tratado no evento foi a reforma política, que está em discussão na comissão especial na Câmara dos Deputados. Sérgio Moro fez críticas à forma como o assunto vem sendo tocado no Legislativo. “Acho que essa reforma política como está sendo pensada não é a verdadeira reforma política. Tem que se pensar de maneira diferente para se enfrentar esse problema”, afirmou.

O juiz federal elogiou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade para declarar a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que autorizavam as contribuições de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais, em 2015.

“Julgamento extremamente interessante, se eu não estiver equivocado, o ministro Luiz Fux afirma que o problema é que a legislação em exame era muito permissiva em relação às doações empresariais eleitorais, o que levava a anomalias de empresas com grandes contratos com a administração pública pudessem realizar doações favorecendo relações espúrias”, explicou.

Moro elogiou que a decisão tenha sido mantida no texto da reforma política que tramita no Congresso. Sobre os financiamentos, ele citou ainda casos em que empresas recebiam empréstimos bilionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, no dia seguinte, faziam doações eleitorais, “ou casos grotescos em que grandes empresas faziam doações para todo o espectro político, como se fosse um contrato de seguro”.

O juiz federal ressaltou, no entanto, que no seu entendimento, o STF)não decidiu no sentido de dizer que as doações empresariais são totalmente inválidas, mas sim que é preciso ter regulações rígidas em relação a essa matéria.

Moro afirma que é preciso estabelecer limites estritos: “Então não pode empresas contratantes do poder público fazer doações. Por outro lado, limites rígidos para doações, para que um candidato não se sinta comprado por uma grande empresa. Talvez estabelecer limite baixo, de R$ 100 mil, para doação”.

O juiz federal deixou claro que tem simpatia pelo financiamento público e não necessariamente por uma exclusividade deste tipo de doação. “A questão não é só do custo, mas existe problema de como esse dinheiro vai ser distribuído e se a forma como ele vai ser distribuído não vai dificultar a renovação de mandatos. Há tendência de que quem está dentro queira continuar dentro e deixar fora quem está de fora. Financiamento público, por bem-intencionado que seja, tem que ser bem pensado para evitar esse tipo de problema.”

A reforma política comentada pelo juiz federal entrou em sua fase final na comissão especial da Câmara nesta terça-feira. A comissão aprovou propostas que incluem a adoção do “distritão” e a criação de fundo público para financiamento de campanhas no valor de R$ 3,6 bilhões. A proposta segue agora para votação em plenário.

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