“Sergio Moro está fingindo amnésia”, diz Glenn Greenwald no Senado

“Tenho uma reputação mundial como jornalista. Obviamente não publicaria uma matéria que não fosse autêntica”

Foto: Reprodução / TV Senado

Durante sua ida ao Senado, nesta quinta-feira, 11, o responsável pelo site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, lembrou que o ministro da Justiça, Sergio Moro, nunca negou, em oitivas no Congresso ou em entrevistas, se investiga o site. Para o jornalista, isso mostra uma tentativa de intimidação. Além disso, o profissional afirmou, depois de questionado, que só em tiranias se entrega material jornalístico à polícia, justiça ou governo para poder publicar.

Sobre isso, é preciso dizer que o procurador Lucas Furtado, que atua junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), pediu que o órgão determinasse a suspensão de forma imediata de qualquer investigação sobre Glenn. A demanda, realizada na quarta, 10, pede também uma inspeção, por parte do TCU, no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), visto que o órgão também não revelou se fiscaliza o jornalista.

Medo

Apesar das possíveis investigações, Greenwald afirmou que continuaria a publicar matérias sobre as trocas de mensagens entre procuradores da Lava Jato de Curitiba e o então juiz Sergio Moro. Conforme Glenn, seu marido, David Miranda (PSOL-RJ), deputado federal, tem recebido ameaças.

“Não vai funcionar”, disse Glenn sobre o que chamou de “clima que é uma ameaça a imprensa livre”, mas advertiu: “É uma ameaça muito grave”. Em outro momento, o jornalista lembrou que, em 2014, após divulgar documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança, ele não foi alvo de nenhuma investigação dos Estados Unidos.

“Lula livre”

Segundo Glenn não há defesa a qualquer partido ou político. “Nossa causa não é ‘Lula livre’, nossa causa não é destruir o governo Bolsonaro, não é defender um partido e prejudicar outro. Nosso jornalismo é sobre defender princípios que não têm nada a ver com ideologia nenhuma”, afirmou e complementou: “Estamos defendendo princípios fundamentais para a democracia, a imprensa livre, o fato de que pessoas com poder político precisam ter transparência, e não podemos ter um processo legal sem um juiz imparcial”.

Questionamento

A oitiva de Glenn foi realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O jornalista se queixou que não havia, no local, membros do partido do presidente, apesar de Major Olímpio (SP), líder do partido, e Flávio Bolsonaro (RJ), serem suplentes.

Marcos do Val (Cidadania-ES), único senador alinhado ao governo no local, perguntou por que Glenn ainda não levou o material para perícia, mesmo que fosse à CIA ou FBI, a fim de atestar a veracidade.

Em resposta, Glenn disse que, em uma democracia, jornalistas não entregam material jornalístico para polícia, governo ou Justiça para ter autorização de publicar. “Tenho uma reputação mundial como jornalista. Obviamente não publicaria uma matéria que não fosse autêntica”.

Segundo ele, entregar esse tipo de material é algo que acontece em países autoritários, tiranias, e não em democracias. Além disso, ele afirmou que Moro e os demais envolvidos nunca negaram pontos específicos do que foi divulgado.

“Sergio Moro está fingindo que tem quase amnésia ou memória tão incapacitada que não pode lembrar nada. Isso não tem credibilidade nenhuma”.

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