Senadores Reguffe e Cristovam Buarque deixam PDT

Parlamentares do Distrito Federal (DF) anunciaram nesta quarta-feira (17/2) que estão de saída do Partido Democrático Trabalhista

Senadores Reguffe e Cristovam Buarque deixaram o PDT pelo mesmo motivo | Fotos: Ana Volpe e Jefferson Rudy/Agência Senado

Senadores Reguffe e Cristovam Buarque deixaram o PDT pelo mesmo motivo | Fotos: Ana Volpe e Jefferson Rudy/Agência Senado

A quarta-feira (17/2) no Senado foi de despedida do partido para dois parlamentares. Os senadores pelo Distrito Federal (DF) José Reguffe e Cristovam Buarque anunciaram que deixaram o PDT. Com a saída dos dois do Partido Democrático Trabalhista, a sigla fica com quatro senadores.

De acordo com discurso na tribuna da Casa na tarde de hoje, Reguffe deixa o PDT por não concordar com o apoio do partido ao governo federal. A sigla tem o deputado federal André Figueiredo, do Ceará, no controle do Ministério das Comunicações.

Antes, foi a vez do senador Cristovam Buarque dizer tchau ao PDT na tribuna do Senado. Cristovam vai se filiar ao PPS com a janela que se abre na quinta-feira (18) e permite que políticos mudem de partido sem perder seus mandatos.

O motivo de Cristovam foi o mesmo alegado por Reguffe, contra o apoio do PDT ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Eleito com 826.576 votos em 2014 (57.61% dos votos válidos), Reguffe ficou 11 anos no PDT. Antes, foi deputado distrital e federal pelo partido.

Pelo Facebook, Reguffe justificou sua saída do partido. Leia o texto abaixo:

Meus amigos,

Me desfiliei na tarde de hoje do PDT. Depois de onze anos no partido, por discordar do reiterado apoio do partido ao governo federal e depois de lutar muito contra isso, decidi deixá-lo e ficar sem partido por um bom tempo. Meu compromisso sempre foi e é com os meus eleitores, é votar com a minha consciência, não é ter cargos ou benesses de governos. Não tenho e nunca tive nenhum cargo nem no governo federal nem no local, não pode ser esse o objetivo de um mandato parlamentar como vemos muitas vezes hoje. Entrei na política para defender e lutar pelo que acredito, entrei por um ideal. Respeito a decisão do PDT de apoiar o governo, de ter cargos no governo, mas do mesmo jeito quero que seja respeitada minha posição de não concordar com isso. Depois de votar aqui no Senado diversas vezes contrariando a orientação do partido, para seguir minha consciência, para seguir o que penso que é o melhor para o país, acho que chega um ponto que não dá mais. Vou continuar votando a favor dos bons projetos para a sociedade e contra os que não forem bons, nunca pensando em agradar governos ou partidos, mas pensando no que é o melhor para o contribuinte, para o cidadão, para a população. Pois são a eles que os meus mandatos servem e sempre serviram.

Um abraço forte,

Reguffe

O mesmo fez Cristovam, que usou seu Facebook:

Depois de três horas na tribuna, conclui há pouco o meu discurso em que oficializei a minha saída do PDT e o meu ingresso no PPS. Disse, entre outras coisas, que a mudança foi antes de tudo uma decisão na direção de não me acomodar num momento em que o Brasil passa por uma grave crise política, ética e econômica. Mudo – tive oportunidade de discursar – para continuar defendendo minhas bandeiras, a bandeira da educação, e creio que vou estar num bom lugar para isso, com muita esperança. Espero que, com os 72 anos que eu já posso dizer que tenho, eu não precise tentar, mas não hesitarei em tentar, enquanto eu for capaz de não desistir e de não me acomodar. Dois verbos malditos para quem quer continuar vivo: desistir e acomodar-se. Agradeci a acolhida que o PPS me deu, inclusive com a presença de vários parlamentares do partido no plenário, e fiquei bastante emocionado e honrado com as manifestações de reconhecimento pelo trabalho, pela minha luta em defesa da educação pública. Eu pude dizer também que a vinda para o PPS tem diversas razões. Uma delas, eu não posso negar, é esse lado emocional de uma amizade mais de cinquenta anos, de um companheirismo permanente, apesar de nunca no mesmo Partido. Quando ele era do Partido Comunista, cuja história eu respeitava e respeito até hoje, eu era da esquerda católica, da Ação Popular. Mas essa relação pesa. Mas não é só isso. Amizade é para ter amigos; companheirismo de Partido é para ter a mesma bandeira. O que me atrai hoje é a possibilidade que o ex-Senador e atual Deputado Roberto Freire oferece de juntos, inclusive com a possibilidade de um Congresso extraordinário no próximo ano, trabalharmos um projeto claro e alternativo para o Brasil e um projeto claro e alternativo para um Partido que sirva ao novo Brasil desse novo tempo. Fico feliz também e com a certeza de que, pelas manifestações de apreço, deixo amigos no PDT, partido pelo qual militei durante dez anos.

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