Senado prevê alta inflação e baixo crescimento em 2022

IFI projeta aumento médio de de 5,2% em 2022, acima da meta do governo de 3,5%. Relatório de Acompanhamento Fiscal também aponta que aumento dos casos de Covid-19 pode influenciar no desempenho do PIB

Este ano será de alta inflação e baixo crescimento econômico segundo projeção do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado pelo Instituto Fiscal Independente (IFI), vinculado ao Senado Federal. Desde 2016, o documento é feito de forma mensal e propõe mostrar análises da conjuntura fiscal e econômica. O relatório também apresenta as projeções da instituição para os principais indicadores macroeconômicos e de contas públicas. O RAF deste mês discute os principais números da Lei Orçamentária Anual para 2022 e reavalia o balanço de riscos para o ano.

Segundo o relatório da IFI, a inflação acima da meta do atual Governo Federal mostra uma tendência a um cenário de disseminação dos reajustes de preços. Para este ano, a expectativa do Instituto para a inflação é de 5,2%, bem acima do centro da estabelecido pelo governo, de 3,5%. O índice de 2021 ficou em 10,1%, o maior dos últimos anos. 

Outro ponto apresentado no documento são os dados do quarto trimestre de 2021 que mostram o permanente crescimento da economia de forma negativa. O que impacta diretamente em um menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em volume, para este ano. Além de um crescimento desfavorável, o aumento dos casos de Covid-19 também influenciam no desempenho do PIB, que acontece devido aos eventos cancelados e a tendência do consumidor ao isolamento.

Outra questão que afeta para um aumento fiscal, em 2022, é a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Além de gerar também uma piora no quadro fiscal deste ano, o Orçamento aprovado prevê déficit de R$ 79,4 bilhões (0,8% do PIB). O déficit é maior do que o previsto inicialmente pelo governo e se aproxima da projeção da IFI, que é de R$ 106,2 bilhões (1,1% do PIB). Os gastos extras a serem realizados no ano a partir da mudança no teto de gastos e da limitação ao pagamento de precatórios, poderão afetar a demanda.

Orçamento

Em dezembro de 2021, o Congresso Nacional havia aprovado o Orçamento da União para 2022. O documento previa o aumento do salário mínimo; verba destinada ao programa Auxílio Brasil, Educação e Saúde; além de um fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões. Porém, o RAF aponta que o Orçamento aprovado já nasceu com um pressão para reajustes. O documento descreve que espaço para gastos novos será de R$ 112,6 bilhões, em 2022, devido à PEC dos Precatórios. “Parte da folga será destinada ao Auxílio Brasil, mas um volume expressivo foi destinado a gastos não prioritários, como a expansão do fundo eleitoral”, ressalva o documento.

Além disso, o relatório faz referência aos movimentos de várias categorias de servidores públicos que reivindicam reposição salarial. O aumento dado pelo governo somente para os policiais federais ampliou o descontentamento em várias categorias. O Ministério da Economia tem dado declarações de que não há espaço para esse tipo de demanda. 

No Executivo, segundo o relatório, há um excesso de despesas em relação ao teto de gastos no valor de R$ 1,8 bilhão, o qual deverá ser corrigido apenas em 2023. Nos demais Poderes, os gastos não acompanharam a elevação dos limites e deverão sofrer reajustes no decorrer do ano. Além disso, destaca o relatório, parte dos pleitos enviados pelo Executivo ao Congresso durante a tramitação do projeto do Orçamento não foi atendida, o que também deve gerar aumento nos gastos previstos para 2022.

Pelas redes sociais, o diretor-executivo da IFI, Felipe Salto, afirmou que o teto de gastos será menor do que o que costa na Lei Orçamentaria Anual. “Como o ajuste dessa diferença só será feito em 2023 (conforme o parágrafo 14 do art 107 do ADCT na EC 113/21), haverá um gasto maior que o teto ao longo de 2022. Isso mesmo. Quem acha que o teto ainda existe acredita em história da Carochinha ou… Deixa pra lá”, completou Salto.

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