Senado pode eleger a maior bancada feminina da história em 2026, aponta levantamento
11 setembro 2026 às 08h51

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A corrida pelas 54 vagas do Senado em 2026 registra o maior número de mulheres candidatas dos últimos 16 anos e, segundo as pesquisas mais recentes da Quaest, pode resultar na maior eleição feminina da história da Casa. O levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), com base nos dados do instituto, divulgados pelo O Globo, aponta que 15 mulheres estão em situação de favoritismo na disputa por uma das duas cadeiras em jogo em cada estado, enquanto outras 14 mantêm candidaturas competitivas. O panorama abrange nomes tanto à esquerda quanto à direita. Dentre elas, tem um nome de Goiás, a candidata ao Senado Gracinha Caiado (União Brasil).
Caso pelo menos dez candidatas sejam eleitas em outubro, o país iguala o pleito de 2014 como o de maior proporcionalidade de mulheres alçadas à Casa (18,5%), quando cinco dos 27 senadores eleitos eram mulheres. Além disso, as mulheres representam 22% das candidaturas, contra 78% dos homens, cerca de 3,5 homens na disputa para cada mulher. O recorde pertence às eleições de 2002 e 2010, quando oito senadoras foram eleitas, marca que também pode ser quebrada em menos de um mês.
Cenários por região
Sudeste
- São Paulo: Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede)
- Rio de Janeiro: Benedita da Silva (PT)
- Minas Gerais: Marília Campos (PT)
Sul
- Rio Grande do Sul: Manuela D’Ávila (PSOL)
- Paraná: Gleisi Hoffman (PT)
- Santa Catarina: Carol De Toni (PL)
Centro-Oeste
- Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL), Leila do Vôlei (PDT), Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL)
- Goiás: Gracinha Caiado (União)
- Mato Grosso: Janaína Riva (MDB)
- Mato Grosso do Sul: Soraya Thronicke (PSB)
Norte
- Roraima: Teresa Surita (MDB)
- Rondônia: Sílvia Cristina (PP)
- Amapá: Rayssa Furlan (Podemos)
- Acre: Mara Rocha (Republicanos)
Nordeste
- Maranhão: Roseana Sarney (MDB)
- Rio Grande do Norte: Zenaide Maia (PSD) e Samanda de Lula (PT)
- Pernambuco: Marília Arraes (PDT)
- Alagoas: Marina JHC (PSDB)
- Ceará: Luizianne Lins (Rede)
Protagonismo e desafios
Murilo Medeiros observa que, na última década, o Senado ganhou protagonismo crescente na relação entre os Poderes e no exercício institucional de freios e contrapesos. Por isso, as siglas passaram a escalar alguns dos nomes mais fortes para disputar a Casa, e, neste ano, muitas dessas vitrines partidárias são mulheres.
“O crescimento feminino no Senado não está restrito a uma corrente ideológica. Há candidaturas competitivas à esquerda, ao centro e à direita. A representação feminina deixou de depender de um único campo político e passou a integrar a estratégia eleitoral de diferentes forças”, disse Medeiros ao O Globo.
Já Marcela Machado, doutora em Ciência Política pela UnB, ressalta que um eventual recorde não necessariamente produzirá pauta convergente no Congresso: “A presença de candidatas competitivas em diferentes campos políticos merece uma leitura cuidadosa: mostra que a ampliação da participação feminina pode ocorrer por caminhos partidários distintos, o que não significa que essas mulheres compartilhem a mesma agenda.”
Medeiros acrescenta que as mulheres formam a “principal fortaleza eleitoral da base do governo Lula para o Senado”. Um fenômeno semelhante ocorre no campo bolsonarista, com candidatas à frente nas pesquisas em várias localidades. O levantamento mostra ainda lideranças jovens, como Janaína Riva (MDB) em Mato Grosso, de 37 anos, e Marina JHC (PSDB) em Alagoas, de 35 anos, que busca quebrar a força local de Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB). Há, além disso, nomes competitivos fora do lulismo e do bolsonarismo, como a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (MDB), a ex-senadora capixaba Rose de Freitas (MDB) e Gracinha Caiado (União), ex-primeira dama de Goiás.
“A antes, quando falava-se de eleição para o Senado, as mulheres eram imediatamente lembradas para preencher as vagas de suplência. Hoje, elas encabeçam chapas e aparecem bem posicionadas em todas as regiões brasileiras. Isso sugere que não estamos diante de um fenômeno localizado, mas de uma tendência nacional”, avalia Medeiros. Carolina Botelho, por sua vez, ressalta que o cenário deriva da “pressão da sociedade civil sobre partidos, políticos e instituições públicas por maior espaço da mulher no Congresso”.
Ainda assim, a pesquisadora do INCT/SANI avalia o quadro como insuficiente. “Há uma tendência de aumento na taxa de participação das mulheres no Legislativo ao longo dos anos, mas ainda está bem aquém de uma proporcionalidade que represente esse grupo na sociedade.” Para Carolina Botelho, enquanto partidos e políticos não “incentivarem efetivamente candidatas mulheres”, a taxa proporcional de presença feminina no Senado não avançará com mais substância: “Mesmo com as cotas, a falta de recurso financeiro, de apoio nas campanhas e de outros incentivos afins nos espaços de decisões políticas mantêm ainda a maioria das mulheres que querem trabalhar na política alijadas desses espaços.”
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