Sem nenhum preto eleito em 2018, Goiás regride em representatividade étnica na política

Com apenas 105 candidatos pretos, Estado elegeu apenas brancos e os que se consideram pardos

Goiás não elegeu candidatos pretos | Foto: reprodução

Depois de votar neste ano, os mais de 3,5 milhões de goianos — já excluindo as 899 mil abstenções — receberam a notícia de que, entre os eleitos, não havia nenhum preto. Os números estaduais vão contra ao pequeno aumento de candidatos e eleitos negros (que se consideram pardos ou pretos) no Brasil. Dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mostram, ainda, que dos 1155 concorrentes em Goiás, apenas 105, menos de 10%, se declararam da cor preta.

Vale lembrar que, no Brasil, os eleitores que se consideram pardos ou pretos são maioria, 55%, mas os registros de candidaturas destas etnias, mesmo mostrando aumento 9% em comparação a 2014 (11.580 para 12.651), ainda é baixo. Eles representam menos de 25% dos eleitos no País, mesmo com crescimento de 14% entre os quatro anos (de 389 para 444).

Já Goiás, elegeu apenas candidatos brancos ou que se consideram pardos. Entre eles, estão os deputados federais Delegado Waldir, 274 mil votos, e Major Vitor Hugo, 31 mil votos, ambos do PSL, e os deputados estaduais Jeferson Rodrigues (PRB), 45 mil votos, Major Araujo (PRP), 38 mil votos, Humberto Aidar (MDB), 31 mil votos, Virmondes Cruvinel (PPS), 30 mil votos, Gustavo Sebba (PSDB), 29 mil votos, Vinicius Cirqueira (PROS), 17 mil votos, e Coronel Adailton (PP), 11 votos.

Dos candidatos que se consideram pretos, o mais votado para deputado federal foi Itamar Martins (PRP), com 1991 votos, e o mais votado para deputado estadual foi Tonhão da Unimed (Solidariedade), com 4662 votos. Não houve candidatos pretos ao Senado nem disputando a vaga de Governador.

O deputado estadual Marlúcio Pereira (PRB), que cumpre seu segundo mandato é, atualmente, é único político que se considera da cor preta em Goiás. o parlamentar era o único político com quem a reportagem poderia falar para reforçar a importância do tema, porém o marlúcio não atendeu as ligações, nem respondeu às solicitações até a publicação desta matéria.

Negras e mulheres

Se o espaço não tem favorecido os negros, as mulheres pretas têm ainda menos oportunidades dadas, principalmente na política. Quem afirma é a Superintendente de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Cidadã, Marta Ivone.

“A pouca presença do negro na política se dá pelo mesmo motivo da pouca presença dele em outros importantes núcleos sociais: a falta de oportunidade, confiança, autoestima, de união, o preconceito e racismo institucional”, pontuou a superintendente.

Para ela, que está a 42 anos envolvida com causas ativistas para negros e mulheres, é preciso que haja superação das pessoas e o reconhecimento da importância do preto pelo país. “Quem construiu este país com sangue e suor foi os pretos, e se isso fosse reconhecido, hoje teríamos presidente negro, mais senadores  e governadores negros, fosse mulheres ou homens”, concluiu.

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Henrique

Que diferença faz a cor, religião, sexo ou opção sexual. Jornalismo brasileiro morreu e esqueceram de enterrar. É cada pauta sem futuro…