Sem Copa, goiano volta à realidade da Segundona

Bom momento dos clubes goianos na Série B do Campeonato Brasileiro mostra equipes forte coletivamente, mas que pecam na ausência de craques, nas contratações e formação

Torcedor goianiense se acostumou com craques como Fernandão, no Goiás, Roni, do Vila Nova, e Anaílson, no Atlético | Fotos: Danilo Verpa/FI e Reprodução

Cilas Gontijo

Com o fim do mundial na Rússia, voltemos as nossas atenções aos campeonatos brasileiros Série A e B, mais especificamente para a Série B, que é onde nossos três melhores clubes estão atuando: Goiás, Atlético e Vila Nova.

Nessa etapa da competição, nossos times estão chamando a atenção dos adversários, tudo porque no período em que os jogos da Copa aconteciam a Série B não parou. Pelo contrário, continuou a todo vapor.

E nossos times não perderam a concentração, se mantiveram focados no objetivo de passar de fase e conseguir suas vagas na tão desejada Série A do Brasileirão de 2019, que aliás, é o que desejamos para os três, que subam mesmo, para que o futebol de Goiás seja mas respeitado pela grande mídia do futebol nacional.

Com os times jogando bem e o coletivo funcionando, poucos jogadores têm aparecido individualmente. Exceto Michael, do Goiás, jogador de 22 anos que veio do Goianésia. Habilidoso, consegue driblar com muita facilidade e muito rápido. Mas ainda precisa melhorar muito, principalmente nos passes e finalizações ao gol.

No Vila Nova não há nenhum jogador brilhante que empolgue seu torcedor. A não ser o já conhecido Alan Mineiro, que tem seus fãs na grande torcida colorada. Sem nenhum jogador considerado craque e com seu ataque inoperante, mesmo assim o time vem se firmando entre os primeiros da fila para uma das quatro vagas à elite no ano que vem. O Vila tem se mostrado muito forte coletivamente. Fora de casa tem sido uma pedra no sapato das outras equipes, realmente um Tigrão. Mas em Goiânia não tem passado de um gatinho. Precisa melhorar logo seu retrospecto em casa.

Já nosso Atlético, que assim como o Goiás não começou muito bem o campeonato, tem melhorado muito seu futebol, com bons jogadores contratados. Também não há um atleta diferenciado, mas um elenco talentoso. Jogadores como os atacantes Júnior Brandão, André Luís, o meia Tomás Bastos, o volante Rômulo e o goleiro Jefferson têm conseguido mais destaque. Assim como os outros dois clubes, tem se mostrado força no coletivo e não na individualidade.

Mas com toda a boa campanha dos nossos representantes, um deles no G4 e outros dois em evolução, será que temos chances de ainda esse ano ver surgir algum craque em nosso futebol, vindo de fora ou até mesmo das categorias de base?

Craques do passado

O Goiás já mostrou grandes craques, sendo revelados ou não no clube, como os atacantes Cacau, Luvanor, Baltazar – o artilheiro de Deus -, Tulio Maravilha, Fernandão, Alex, Dill e o volante Uidemar. Se formos buscar mais atrás na história do clube íamos escrever uma ou duas páginas só com esses nomes.

Ao longo dos anos tem sido eficiente na recuperação do bom futebol de alguns jogadores como Dimba, que em 1997 era reserva do glorioso Botafogo, entrou na final do Campeonato Carioca e fez o gol da vitória. Ficou tão feliz que chegou a comer a grama do campo. Depois disso, sua carreira parecia ter chegado ao fim. Em 2002 foi contratado pelo Goiás e, em 2003, foi artilheiro isolado do Brasileirão Série A com 31 gols.

Walter, que chegou ao Goiás em junho de 2012 trazido pelo técnico Enderson Moreira para disputa da Segundona, foi recebido com muita desconfiança por parte da diretoria e da torcida pelo fato de estar meio gordinho e não render bem por onde havia passado. O fato é que no clube goiano ele conseguiu dar a volta por cima, mesmo com uns quilinhos a mais, e foi artilheiro daquele ano com 16 gols. Passou a ser peça intocável no clube, continuou jogando bem e em 2013 foi novamente destaque, agora da Série A, conquistando o troféu Armando Nogueira. Esteve presente na seleção do campeonato nos prêmios Bola de Prata e da CBF.

Há algum tempo não vemos um grande jogador formado ou não em suas dependências, a não ser Carlos Eduardo, que era um bom atleta, mas não um craque. Ele já foi negociado e não pertence mais ao clube. Temos agora a revelação Michael, um diamante em fase de lapidação, que também está longe de se tornar um craque.

O Tigrão, que também teve a honra de revelar grandes jogadores, como o atacante Guilherme, que deu muitas alegrias a essa imensa torcida na década de 1970 – para a maioria o melhor de todos os tempo, e Roberto Pacheco dos Santos, o famoso Bé, terceiro maior artilheiro do Campeonato Goiano.

Ainda entram na lista Roni, Tim e também o atacante Anderson Barbosa, que brilhou com a camisa colorada em 1990 e 2000, e que nunca será esquecido  pelos dois gols marcados em cima do Goiás naquele jogo histórico de 1999. Ele marcou os dois primeiros, ainda quando o Vila perdia por 3 a 0, dando início a uma das mais belas viradas do futebol mundial, que jamais será esquecida pelos seus torcedores.

Assim como o Verdão, o vermelho mais querido do Centro-Oeste vive de lembranças, não conseguindo revelar grandes jogadores, nem mesmo os contratados de outros clubes.

A situação do nosso Dragão não é diferente. A diferença é que tem menos história do que os dois outros clubes em Séries A e B. Com mais tempo de fundação, tem menos torcedores, porém tem se mostrado mais eficiente do que o Vila Nova, por exemplo, que conta com uma das maiores torcidas do Brasil.

Em 2005, com a reformulação da diretoria, o Atlético, que ressurgiu das cinzas e voltou a participar da divisão de acesso do Goiano, desde então está sempre figurando entre as Séries B e A. Alguns craques já passarem por lá, como o atacante Baltazar, que em 1978 marcou 31 gols e foi recordista em uma só edição do Campeonato Goiano, Gilberto, Luís Carlos Goiano, Lindomar, além de outros na história recente que foram responsáveis pelo ressurgimento do time, como Anaílson e Robston.

Mudanças

Nossos times precisam trabalhar mais em suas categorias de base, diminuir as panelas na hora de escolher os garotos que irão jogar, fazer essas escolhas baseadas exclusivamente no talento que alguns meninos possuem e não por indicação de alguém ou até mesmo por dinheiro. Por causa disso, muitos que poderiam ser hoje gênios da bola são desperdiçados e os clubes deixam de faturar bilhões.

É obvio que os critérios para contratação de alguns garotos têm sido tudo menos o futebol, porque temos visto cada jogador ruim vestindo as camisas desses clubes que não dá para aceitar e acreditar que realmente são atletas profissionais.

Diretorias de Atlético, Goiás e Vila Nova, abram seus olhos, prestem mais atenção às suas bases, valorizem esses meninos bons de bola, parem de valorizar mais o QI (Quem Indica). Torcedores que viram Fernandão, Dill, Dimba, Bé, Guilherme, Lindomar, Luís Carlos Goiano e Anaílson não se contentam com o que veem hoje.

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