Secretário nega maior prazo para mães se adequarem a retirada dos filhos dos Cmeis

Mães se sentem prejudicadas e podem deixar filhos fora da escola durante o próximo ano

Marcelo da Costa, Secretário de Educação de Goiânia | Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

Em reunião com o Ministério Público na sexta-feira (30/11), o secretário Municipal de Educação, Marcelo Ferreira da Costa, disse que não vai dar maior prazo para que pais e mães se adaptem à retirada dos filhos de 4 anos dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) e transferência para pré-escolas de meio período.

O encontro foi promovido pelo Centro de Apoio Operacional (CAO) da Educação do Ministério Público de Goiás (MP-GO), com a presença da coordenadora Liana Antunes e da promotora de Justiça Maria Bernadete Crispim. Na ocasião, as desembargadoras levaram ao secretário as reclamações feitas pelos pais em relação à transferência de crianças de 4 anos, que antes eram atendidas nos Cmeis para escolas regulares.

No o dia 23 de novembro, pais e mães, junto à vereadora Sabrina Garcês (PTB) se reuniram e foram ao MP-GO solicitar à promotora Maria Bernardete que intervisse na decisão da Prefeitura de cancelar as turmas de 4 anos de idade nos Cmeis. A principal reclamação era de que, diferente das creches, elas passariam a estudar somente em meio período, inviabilizando a possibilidade das mães trabalharem.

Outro ponto levantado pela comunidade escolar foi o fato de que a Prefeitura avisou sobre a mudança em cima da hora. Já que faltavam poucos dias para o início das rematrículas e pouco tempo havia para contestar a decisão. Dessa maneira, os pais pediam maior prazo para que pudessem se adaptar à mudança. Objetivamente, solicitaram à promotora mais seis meses das crianças no Cmei até que elas pudessem se adequar e, no semestre seguinte, matriculá-las na escola de ensino regular.

Na ocasião, a promotora disse que o MP-GO não poderia obrigar a secretaria a fazer isso, mas que solicitaria que o secretário atendesse aos pedidos das mães. Na reunião desta sexta (30/11), no entanto, Costa manteve-se firme na decisão e não cedeu aos pedidos da população, que vai ser prejudicada de diferentes maneiras pela medida.

Como argumento, o secretário disse que a Prefeitura avisou sobre a transferência seis meses antes do período da rematrícula, o que é negado pelos pais. A vendedora autônoma Carolina Guedes, que é mãe de um menino de 4 anos, matriculado no Cmei do Bairro Feliz, disse que, com isso, não haverá outra alternativa para ela, a não ser deixar o filho fora da escola durante um ano. Segundo ela o aviso foi feito no dia 9 de outubro deste ano, três meses para o fim do ano letivo e não seis, como dito pelo chefe da pasta.

“Eu vou ter que sair do serviço para ficar em casa cuidando dele, não tenho coragem de deixar ele na escola regular nessa idade, então eu e ele vamos ficar em casa até o próximo ano, quando ele já deve estar mais desenvolvido para conseguir estudar com crianças mais velhas”, disse.

Carolina argumenta, também, que o filho, assim como outras crianças da mesma idade, ainda não tem condições de usar o banheiro sozinho, além de ser impossibilitado de realizar outras atividades comuns com a mesma independência de crianças mais velhas. “No Cmei tinha esse tipo de auxílio, agora acho difícil isso ser possibilitado em uma sala de aula com 25 alunos e uma professora sem auxiliar”, disse.

A vendedora também relatou ao Jornal Opção que até agora não recebeu um retorno do MP-GO sobre a conversa com o secretário e aguarda isso para um posicionamento mais consistente por parte dos pais que são alvos dos danos. Ela aguarda também a reunião marcada para quarta-feira (5/12), quando o secretário deve se encontrar novamente com o MP-GO.

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rodrigo

a reunião que era pra ser aberta aos pais foi “magicamente” adiantanda para o dia 30 sem ao menos avisar os interessados, mais uma vez a população sendo avisada com antecedencia, como diz o secretario. lamentavel