Secretário de Segurança Pública repudia operação da PF e sugere ação midiática

Para José Eliton, corporação foi imprudente ao anunciar “segunda fase” de investigações que apuraram, em 2011, existência de suposto grupo de extermínio 

José Eliton durante coletiva | Foto: Marcelo Gouveia/Jornal Opção

José Eliton durante coletiva | Foto: Marcelo Gouveia/Jornal Opção

O secretário estadual de Segurança Pública, o vice-governador José Eliton (PSDB), reuniu a imprensa no fim da manhã desta sexta-feira (11/11) para comentar ação da Polícia Federal, que anunciou, no início da manhã, uma “nova fase” da Operação Sexto Mandamento, que investigou em 2011 um suposto grupo de extermínio no Estado. Em entrevista, Eliton afirmou que repudia a forma como a corporação conduziu o caso e alegou imprudência.

Ele conta que recebeu, ainda na noite de quinta-feira (10), um telefonema que comunicava sobre a operação. O secretário foi informado que a ação integraria, na verdade, um procedimento comum de investigação e não a deflagração de uma nova fase da Sexto Mandamento. “Encaminhamos um porta-voz para acompanhar os agentes em Brasília, confiando que a PF iria tratar essa questão com prudência”, afirmou.

José Eliton destaca que a ação não pode ser definida como uma “segunda fase” da operação, e lembrou que as 19 pessoas processadas à época foram inocentadas pela Justiça. “Não há grupo de extermínio atuante no Estado”, garantiu.

“É inaceitável que a Polícia Federal em seu site oficial coloque que deflagrou uma segunda fase com objetivo de desarticular grupo de extermínio. As investigações devem ter seu trâmite legal, conforme previsto na legislação. O que não podemos tolerar é o vilipêndio da dignidade e da honra, sem o devido processo legal”. acrescentou.

O vice-governador também defendeu o comandante da capital, tenente-coronel Ricardo Rocha, um dos oito policiais militares alvos de mandado de condução coercitiva nesta sexta. “Homem que contra si não conta com nenhuma condenação penal e é homenageado em todos os lugares que passou”, destacou José Eliton ao falar do comandante.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de condução coercitiva, 19 de busca e apreensão, e três de prisão temporária. Entre os presos, estão os sargentos Jerônimo da Silva Costa e José Wilson Freitas, ambos lotados em Alvorada do Norte. A assessoria da PM informou que os dois policiais não foram alvos de investigação na Operação Sexto Mandamento em 2011, e ainda não há informações sobre as denúncias que pesam contra eles agora.

Represália

Há algumas semanas, informou José Eliton, a pedido de um membro da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, a Frente Parlamentar de Segurança Pública, no Congresso, entrou com representação para apurar possíveis abusos de autoridade por parte de policiais, juízes e promotores envolvidos na Sexto Mandamento. O secretário sugeriu, durante entrevista, que a ação desta sexta pode estar relacionada a este documento.

Já para o presidente eleito da associação da PM, tenente-coronel Alessandri Rocha Almeida, não restam dúvidas que a ação da PF tratou-se de uma represália. “A meu pedido, solicitei à Frente Parlamentar uma representação para defender os policiais que foram injustiçados”, conta.

Na entrevista coletiva, o secretário José Eliton fez questão de citar, ainda, a possível “coincidência” quanto à data de realização da ação da PF no Estado de Goiás, que sedia, nesta semana, o 4º Encontro do Pacto Integrador de Segurança Pública Interestadual, com a presença de secretários estaduais de Segurança Pública de todo o País.

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