Secretário de Educação de Goianésia é alvo de operação que investiga supostas fraudes em licitações; ele confirma compra de salas modulares, mas nega saber de irregularidades
11 agosto 2026 às 11h14

COMPARTILHAR
A Secretaria Municipal de Goianésia e o titular da pasta estão entre os alvos de cumprimento de busca e apreensão realizados pelo Ministério Público de Goiás, na manhã desta terça-feira, 11. De acordo com o órgão ministerial, uma suposta organização criminosa especializada na prática de fraudes a licitações e contratações diretas ilegais está sendo investigada. Além de Goianésia, outras 13 cidades goianas também foram alvos dos mandados, e duas cidades de São Paulo.
Em vídeo, o secretário de Educação da cidade, Noé Raimundo de Araújo, explicou que a cidade entrou na investigação porque foram adquiridas, de uma das empresas investigadas, salas modulares que foram utilizadas para aumentar o número de oferta de vagas para as crianças do município. “As nossas famílias goianesiense, que tanto dependem das creches, e, no ano passado, nós adquirimos essas salas visando aumentar o número de vagas pras nossas crianças nas creches. Infelizmente, nós compramos de uma empresa que está sendo alvo dessa investigação. Goianésia também entrou nesse alvo de investigação, assim como acontece em todos os municípios onde essa empresa vendeu essas salas”, explica o secretário.
Ainda na gravação, o secretário diz que recebeu os agentes do Ministério Público e, antes de encerrar a gravação, realizou uma metáfora para explicar a situação. “É como se você, de repente, comprasse um carro e descobrisse que esse veículo tivesse alguma restrição. Então, essa é a comparação que nós fazemos hoje. O produto que nós compramos é de fato um produto que serve a nossa comunidade dentro das creches, mas a empresa está passando nesse momento por essa investigação. Vale ressaltar que é uma investigação que acontece em todo o Estado de Goiás e nós estamos à disposição para mais esclarecimentos”, destaca.
Operação
De acordo com o órgão, foram três mandados de prisão preventiva, quatro medidas de afastamento de cargo público e 44 de busca e apreensão. Todos eles foram deferidos pelo 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia. Além de Goianésia, as cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira, Inhumas, Abadia de Goiás, Rio Quente, Uruaçu, Luziânia e Alexânia foram alvos da operação, além de São Paulo (SP) e Ribeirão Preto (SP).
Durante o cumprimento dos mandados, R$ 40 mil foram apreendidos em um endereço e, em outro lugar, os agentes também apreenderam R$ 26 mil e 2 mil euros em espécie. A investigação tem como alvo um grupo empresarial sediado no Estado de Goiás que, por intermédio de diversas empresas, teria fraudado a fase interna de procedimentos licitatórios que tinham por objeto o fornecimento, montagem e instalação de ambientes modulares, destinados prioritariamente a unidades escolares municipais e redes de assistência social.
Ainda de acordo com o MP, a pessoa jurídica beneficiária do esquema recebeu, em valores liquidados entre os anos de 2015 e 2025, mais de R$ 88,3 milhões dos cofres públicos estaduais e municipais. Deste valor, a estimativa de dano ao erário, em Goiás e em São Paulo, é de R$ 14 milhões. São alvos da investigação os integrantes do núcleo empresarial do esquema, além de gestores e servidores públicos de diversos municípios do Estado de Goiás que teriam facilitado ou concorrido para a contratação direcionada da empresa investigada, com possível fraude ou frustração ao caráter concorrencial de procedimentos licitatórios.
Leia também: Três pessoas são presas por fraudar licitações e contratos públicos em Goiás


