Secretaria de Saúde afastará todos os servidores envolvidos na fraude de UTIs

Anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (23/6) pelo titular da pasta, Fernando Machado

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Secretário durante coletiva de imprensa | Foto: Bruna Aidar

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou, na tarde desta quinta-feira (23/6), que irá abrir sindicância interna para averiguar as suspeitas de fraude envolvendo o Samu de Goiânia, apuradas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO).

Titular da pasta, o médico Fernando Machado (PMDB) concedeu entrevista coletiva na sede da prefeitura da capital, quando avisou que todos os servidores envolvidos no esquema que fraudava direcionamento de pacientes para UTIs serão afastados de suas funções imediatamente.

Contudo, a SMS não apresentou, ainda, os nomes dos funcionários que sofrerão as sanções.

A Operação “SOS Samu” foi deflagrada na manhã da última terça-feira (21) pelo MPGO e culminou na prisão temporária de 21 pessoas e mais 40 mandados de busca e apreensão. Todos são acusados de direcionar pacientes atendidos pelo atendimento de urgência, que possuíssem planos de saúde, a determinadas Unidades de Terapia Intensiva, fraudando a respectiva regulação do acesso aos leitos de UTI.

Entre as graves suspeitas dos promotores está a de que técnicos de enfermagem e médicos chegavam a utilizar medicamentos para rebaixar a consciência de pacientes apenas para que estes fossem encaminhados para UTIs. Sobre isso, Fernando Machado disse que irá apurar caso por caso.

Entre os presos na operação, estão, pelo menos 15, servidores do Samu de Goiânia. Veja a lista completa aqui.

O caso

Segundo o MPGO, o esquema funcionava assim: feito o atendimento de urgência pelo Samu, por condutor socorrista ou técnico de enfermagem, era contatada a regulação de vagas do acesso aos leitos de UTI, cabendo a esta determinar o encaminhamento do paciente para algum hospital vinculado ao SUS, de acordo com a regulação de vagas.

Entretanto, os investigados estavam fraudando tal procedimento de atendimento de pacientes que possuíam planos de saúde — eram encaminhados para unidades de UTI particulares.

Os funcionários do Samu investigados  — entre técnicos de enfermagem, condutores e médicos — recebiam propina para realizar esse direcionamento de pacientes. O pagamento era feito ou em dinheiro, diretamente, ou mediante depósito bancário, pelos proprietários ou representantes dessas UTIs, revelam os investigadores.

Além da irregularidade na rotina de encaminhamento de pacientes às UTIs, o Ministério Público constatou encaminhamentos desnecessários de pacientes — ou seja, pacientes atendidos pelo Samu que não demandavam internação em unidade de terapia intensiva eram desnecessariamente internados.

A fim de simular a gravidade do estado de saúde desses pacientes, os envolvidos no esquema chegavam a usar o método de ‘rebaixamento artificial de consciência do paciente’, obtida com a aplicação de medicamentos de efeito sedativo, para poder mantê-lo na UTI de hospitais particulares.

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