Samuel Belchior: “Me magoa que o PMDB tenha chegado a esse ponto”

Presidente estadual do partido se diz arrasado, lamenta suspensão da eleição e alega que tudo estava acertado

Presidente afirma que faltou "maturidade" na disputa | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

Presidente afirma que faltou “maturidade” na disputa | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

À meia noite deste sábado (31/10) Samuel Belchior deixa a presidência do PMDB Goiás. Apenas deixa, pois não há substituto eleito para assumir o posto. Isso porque, na última semana, uma liminar concedida pela Justiça suspendeu a realização do pleito que estava marcado para o dia 29.

De autoria do ex-deputado José Essado, a ação teria sido movida sob a regência do deputado federal Daniel Vilela e alegava que o edital para a eleição do diretório não foi publicado em tempo hábil.

Até então, duas chapas se preparavam para a disputa: uma comandada por Daniel junto ao deputado estadual José Nelto, e outra liderada por Nailton Oliveira — ex-prefeito de Flores de Goiás e aliado de Iris Rezende.

Em meio as disputas internas, Samuel Belchior não conseguiu cumprir a missão de entregar a presidência a um companheiro. No dia 29, o Jornal Opção conversou com o futuro ex-presidente na sede do diretório do PMDB estadual, em Goiânia.

Visivelmente abatido, ele se apressava para assinar cheques e acertar as pendências que ainda ficaram. “Vamos deixar tudo certo, já que não sabemos por quanto tempo ficaremos sem presidente”, comentou ele aos presentes na sala.

Ao lado de lideranças do interior, integrantes da diretoria e o deputado estadual/presidente do diretório Metropolitano, Bruno Peixoto, Belchior contou à reportagem sua versão dos fatos. Para ele, não há um só “culpado” pela situação, o erro foi “das várias partes”.

A chateação do presidente era tamanha, que chegou a lamentar que o partido tenha chegado a “esse ponto”.

O que aconteceu?
Ah! Foi um erro não de ambas, mas das várias partes. Tivemos flutuando uns 10 candidatos, até hoje teríamos, se fosse ter eleição. Tinha uns que apareciam mais e outros “louquinhos” para entrar. Mas, nada, nada, nada justifica levar as questões do partido para a Justiça. Faltou amadurecimento, maturidade política.

Eles te avisaram que iriam entrar na Justiça?
Sim. Daniel Vilela me avisou. Quem entrou, na verdade, foi José Essado, mas quem fez foi o Daniel. Depois ele não quis assinar, mas foi ele quem organizou e fez tudo.

E José Nelto, companheiro de chapa dele?
Era a favor da eleição.

Então por que não está aqui?
Eles estavam todos me ligando, pois eu quem estava no Tribunal de Justiça. Ele, Adib Elias, Sandro Mabel mantiverem contato o tempo todo. Pedro Chaves estava em Brasília pronto para vir para Goiânia votar.

Belchior reconhece irregularidade, mas garante que tudo estava acordado | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

Belchior reconhece irregularidade, mas garante que tudo estava acordado | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

Há irregularidade. Mas, como foi o processo para a eleição?
Tudo foi feito as claras, com todo mundo assinando as atas, só não foi publicado em tempo. Não foi publicado no Diário Oficial porque demora três dias úteis para publicar, mas foi tudo lavrado aqui. Documentação todo mundo tinha, conhecimento também.

Inclusive, a única coisa que pedi para todos é que, se fossem discutir o mérito, que o discutissem, mas que mantivéssemos a eleição.

Como fica o partido?
A partir deste sábado (31), o PMDB não tem presidente. Agora, vai para o diretório nacional criar uma comissão interventora para realizar a eleição.

A comissão será daqui?
Provavelmente, sim. Não tem necessidade, mas eles podem indicar quem eles quiserem. Pode ser até o próprio presidente Michel Temer. É possível que se indique o pessoal daqui.

O senhor sabe de algum acordo por parte de Daniel Vilela?
O que chegou para mim foi que há um acerto lá em Brasília, por isso fizeram essa manobra. Tanto que eles não estão questionando a eleição, apenas pediram a suspensão, porque sabem que a partir de sábado eu já não sou presidente do partido. Se eu fosse presidente mais 30 dias, como estão levantando a possibilidade, eu chamo e faço a eleição. Mas eu acho que não tem jeito.

Qual a diferença de a eleição ser agora ou no mês que vem?
Acho que o interesse de quem buscou a suspensão é não ter eleição, para deixar que o diretório nacional escolha a comissão. É a mesma coisa que acontece no âmbito nacional, enquanto o País sangra, os deputados e senadores discutem rixas internas, base política. Aqui, não estão preocupados com o partido, com a eleição do ano que vem, em organizar o partido. Estão discutindo “Se é fulano, eu não aceito”, “se é sicrano, eu veto”… Quer dizer, virou rixas bestas de pessoas. Imaturidade. Está faltando maturidade.

O que aconteceu?
Estou muito cansado. Suspeito também, o que me magoa muito, é que fiz das tripas o coração para organizar esse partido financeiramente. Nunca teve isso antes. Percebi que boa parte da briga é porque nós organizamos financeiramente o partido, nós temos dinheiro. Estou arrasado, me magoa saber que o partido chegou a esse ponto. Tentei, mas não deu…

E agora?
Interpreto que não sou mais presidente. Não há mais diretória e que o partido vai ficar sem presidente. O diretório nacional vai eleger uma comissão provisória. Essa é a intenção, era justamente fazer a suspensão da eleição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.