Saiba o que dizem especialistas sobre prática de consumir placenta

Apesar de inúmeros estudos buscarem provar benefícios do consumo deste órgão, profissionais fazem alertas. Entenda

Consumir a placenta após o parto é um hábito que muitos mamíferos possuem. Entre os seres humanos, que se encaixam nessa classe animal, a prática não é comum, mas também existe e é chamada de placentofagia. Apesar de ser realizada há muito tempo por meio de tradições e costumes, essa atividade ficou mais conhecida recentemente depois que famosos que ingeriam o órgão materno-fetal começaram a divulgar na internet a informação, gerando muitas especulações.

Brasileiras como a culinarista e apresentadora Bela Gil e a atriz Fernanda Machado; e estrangeiras como a socialite Kim Kardashian e a atriz Alicia Silverstone são algumas das personalidades que apostaram nos “benefícios” do consumo da placenta.

Por causa disso, nestes últimos anos, pesquisas também foram realizadas, porém, diferente do que as famosas informaram, nenhum benefício do consumo foi devidamente comprovado – estimava-se que o consumo de placenta poderia ajudar a mãe na produção de leite materno, redução das chances de depressão pós-parto e regulação dos hormônios. Para entender melhor, o Jornal Opção conversou com especialistas para entender o que a medicina diz sobre o assunto.

Em seu consultório, a médica goiana obstetra Dra Ana Amorin disse que já recebeu relatos de mulheres que sentiram benefícios ao consumir placenta, seja in natura, em comprimidos via manipulação ou via cocção, mas que não se pode levar isso em consideração sem pesquisas científicas que comprovem o fato.

“É muito subjetivo. Se não há uma pesquisa sistemática sobre os benefícios e os riscos do consumo de placenta, não podemos considerar os relatos como benefícios que virão para todos que comerem, além disso, a impressão é de que as pessoas não estão conversando com seus médicos, que normalmente refutam a prática”, explicou.

É o que faz a pediatra e neonatologista, também goiana, Dra Maja de Medeiros, da Sociedade Goiana de Pediatria. De acordo com ela, médicos em compromisso com a entidade também não orientam a prática do consumo do órgão. “A placenta é rica em hormônios e ferro, mas esse hábito de comê-la não é confiável”, frisou a especialista, lembrando que os estudos feitos e divulgados não comprovaram benefícios reais.

De toda forma, é opcional consumir a placenta, tendo benefícios ou não. Maja, porém, alerta sobre os riscos: “como se trata de um produto orgânico, a tendência é que pereça, então, é preciso tomar cuidado com esse fator, além disso, se atentar sobre a procedência da placenta que será consumida, pois pode ser um meio contaminador”, orienta.

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