João Reynol e João Paulo Alexandre

Durante a votação para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia, realizada na manhã deste sábado, 10, uma situação chamou a atenção. A vereadora Rose Cruvinel (União Brasil) manifestou insatisfação com uma mudança feita de última hora na composição da chapa. Segundo a parlamentar, seu nome estava confirmado para integrar a Mesa poucos minutos antes da sessão, mas acabou sendo substituído pelo da vereadora Aava Santiago (PSB) no cargo de 2ª vice-presidente corregedora, após ela retornar ao cargo de vereadora depois de decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A vereadora afirmou que, apesar da experiência em disputas internas no Legislativo, foi surpreendida pela alteração. Ela reconheceu que mudanças fazem parte das articulações políticas, mas questionou a forma como a substituição ocorreu.

“Até o último momento, muda a regra do jogo. Eu sou velhinha, eu sou mulher, mas não sou boba. Eu já participei de quatro eleições nessa Casa para presidente. Eu sei que essas mudanças são naturais, isso é do jogo, o pessoal se reúne e faz o jogo.”

Apesar da insatisfação inicial, Rose afirmou que compreendeu a decisão e votou favoravelmente à nova composição.

“A composição da Mesa é uma discussão política que está amadurecendo há muitos dias. Então, eu tinha conseguido, nessa discussão, algumas posições. Só que é um jogo. A eleição da Mesa é um jogo. Tem muitos poderes influenciando. E, na última hora, porque a vereadora Aava conseguiu o retorno dela, eles quiseram beneficiar, quer dizer, dar uma força para a Aava.”

Falta de comunicação

Segundo a parlamentar, sua reação ocorreu principalmente pela falta de comunicação sobre a mudança. Rose afirmou que a substituição poderia ter ocorrido sem conflitos caso tivesse sido informada antecipadamente.

“Eu fiquei um pouco chateada porque não conversaram comigo. Se falassem para mim: ‘Vamos tirar seu nome porque nós queremos privilegiar a nossa vereadora Aava, que é uma querida amiga’, eu deixava na hora. Eu fiquei chateada porque fizeram sem me falar.”

Negociação pela presidência da Comissão de Saúde

Rose Cruvinel afirmou ainda que enfrentou divergências durante a distribuição dos cargos nas comissões permanentes da Câmara. Segundo ela, inicialmente havia sido retirada da presidência da Comissão de Saúde e direcionada para a Comissão do Idoso, situação que conseguiu reverter após negociações.

“Eu era presidente da Comissão de Saúde, eu sou médica. Tinham me trocado para a Comissão do Idoso. Só que eu tenho um projeto do idoso, mas é um projeto a ser resolvido na saúde, que é promoção e prevenção da saúde do idoso.”

A parlamentar explicou que não concordou com a mudança porque pretende desenvolver projetos voltados à saúde da população idosa. Segundo ela, a vice-presidência da Comissão de Saúde não atenderia aos seus objetivos.

“Então eu pedi a presidência da Comissão de Saúde, e eles tinham me colocado na vice-presidência, que não é nada. Eu queria ser a presidente. Eu consegui negociar e reverter.”

Permanência na CCJ

A parlamentar afirmou que continuará integrando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), espaço que considera importante para acompanhar a tramitação e a análise das propostas legislativas.

Apesar das divergências relacionadas à distribuição dos cargos, Rose afirmou que se sente respeitada dentro da Câmara e descartou qualquer tratamento discriminatório em razão da idade.

“Eu estou na CCJ, na comissão disso. Eu sou ultraprivelegiada. Pelo fato de eu ser idosa, não sou discriminada pela Câmara. Eu fui muito bem atendida.”

A vereadora ressaltou que sua participação na CCJ permite acompanhar de perto os projetos que tramitam na Casa, experiência que também acumulou durante sua passagem pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

“Eu sempre participei da Justiça aqui, lá na Assembleia Legislativa. Eu sempre participei porque é onde passam todos os projetos e a gente tem condição de conhecer o que está acontecendo na Câmara.”.

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