Roberto Naves: “Maior desafio é consertar uma prefeitura arcaica com vícios de vários anos”

Prefeito informa que dívidas de gestões passadas passam dos R$ 200 mi. Desafio maior, segundo o petebista, entretanto, é mudar estrutura que “consome mais do que deveria”

Roberto Naves durante entrevista coletiva | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Mais de R$ 200 milhões. Este é aproximadamente o valor das dívidas de curto e médio prazo herdadas pela nova gestão da Prefeitura de Anápolis. Passados dois meses de administração, entretanto, o prefeito Roberto Naves (PTB) dá sinais de rápida recuperação e ainda aponta para uma mudança radical na estrutura do Executivo municipal anapolino.

Em entrevista ao Jornal Opção nesta semana, o petebista reitera a existência de um rombo nos cofres municipais, mas diz que vem buscando focar na “eficiência e transparência da máquina pública” para fugir da crise e retomar obras importantes para a cidade.

O prefeito também tem procurado apoio fora. Ele avalia que Anápolis possui, hoje, totais condições de fechar novas parcerias — seja com a União, Estado ou com o setor privado — e comemora o montante de mais de R$ 20 milhões que será destinado à cidade por meio de emendas individuais e de bancadas.

Mesmo reconhecendo as dificuldades econômicas, Roberto garante que o maior desafio de sua administração, até o momento, não tem sido lidar com as contas no vermelho, mas sim mudar a estrutura “arcaica” estabelecida há vários anos na prefeitura.

“A maior dificuldade não é gerir uma prefeitura com um rombo, isso você pode equacionar a receita com as despesas. O difícil é mexer na estrutura arcaica da prefeitura, que consome mais do que devia. O mais difícil é consertar uma prefeitura com vícios de vários anos”, sentencia.

Como exemplo de ação, o petebista afirma que teve que suspender temporariamente todas as horas extras, gratificações e adicionais noturnos do funcionalismo para realização de um estudo que comprovará o verdadeiro destino dos benefícios e direitos trabalhistas. Ele cita casos de servidores que recebiam os valores mesmo sem ter trabalhado para tanto.

“Vamos pagar horas extras para quem fizer horas extras. Existiam funcionários que recebiam hora extra em valores fechados todo mês, independente de quanto trabalhavam. Isso não existe. É necessário ter responsabilidade com o dinheiro público.”

Ainda sobre as mudanças adotadas no Executivo, Roberto cita também o enxugamento já empenhado nos dois primeiros meses de gestão. Em 60 dias, relata ele, a folha de pagamentos da prefeitura anapolina apresentou redução de R$ 5 milhões, e os funcionários comissionados foram reduzidos de 1.200 para cerca de 750. “E a prefeitura continua funcionando perfeitamente”, comemora.

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