Relatório mostra que Bolsonaro deu 1.682 declarações falsas ou enganosas em 2020

Documento revela ainda que ataques à imprensa com queda no nível de liberdade de expressão no mundo em geral e no Brasil que obteve apenas 52 pontos numa escala que vai de 0 a 100

Presidente Jair Bolsonaro | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O relatório de uma organização não-governamental Artigo 19, com escritório em noves países, inclusive o Brasil, revela que o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), emitiu 1.682 declarações falsas ou enganosas em 2020, ou seja, mais de quatro por dia. As informações fazem parte do “Relatório Global de Expressão 2021”, com dados de 161 países.

Segundo reportagem do O Globo,  documento aponta ataques de Bolsonaro à imprensa e mostra uma queda no nível de liberdade de expressão no mundo em geral e no Brasil que obteve apenas 52 pontos numa escala que vai de 0 a 100.  O índice é o mais baixo registrado desde 2010, quando começou a ser calculado pela ONG.

“Em outros casos, a desinformação vem de indivíduos que ocupam posições relevantes — até mesmo chefes de governo, como Jair Bolsonaro — geralmente por meio de contas pessoais, em vez de oficiais, nas redes sociais. Esses indivíduos isolados podem ter um grande impacto na disseminação da desinformação. O presidente dos Estados Unidos [Donald Trump, que estava no cargo em 2020] foi provavelmente o maior impulsionador da ‘infodemia’ de informações errôneas sobre a COVID-19 em língua inglesa”, diz trecho do relatório publicado pelo O Globo.

O levantamento aponta ainda 464 declarações públicas de Bolsonaro, seus ministros ou assessores próximos atacando ou deslegitimando jornalistas. “Essas atitudes influenciam as autoridades locais e se manifestam em atitudes, assédio e ações judiciais contra jornalistas. Esse nível de agressão pública não era visto desde o fim da ditadura militar. A crescente hostilidade social contra jornalistas e seus efeitos desencorajadores não devem ser subestimados”, diz o relatório.

Em 2020, segundo O Globo houve 254 violações no Brasil contra jornalistas e comunicadores, das quais 123 por agentes públicos e 20 constituindo casos graves, como homicídios, tentativas de homicídio e ameaças de morte. No mundo, 62 jornalistas foram mortos e 274 presos. Os países com mais prisões foram China, Turquia e Egito. “As prisões quadruplicaram de março a maio de 2020, e o assédio e os ataques físicos aumentaram em todo o mundo — do Brasil à Itália, Quênia, Senegal e Nigéria”, diz trecho do sumário do relatório. Além disso, foram registrados ainda 331 mortes de defensores de direitos humanos, das quais 264 na América Latina. A Colômbia foi responsável por 53% dessas mortes no mundo todo.

*Com informações do O Globo

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