Relator do caso Master, Mendonça autoriza uso de avião da PF para levar Vorcaro para oitiva no Senado
27 fevereiro 2026 às 16h30

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Relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça autorizou que a Polícia Federal (PF) faça o deslocamento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para depor na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. A decisão atende ao pedido do presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). A comissão marcou oitiva para a próxima terça-feira, 10 de março, às 11h.
“Reitera-se expressamente a determinação para que a Polícia Federal fixe as condições logísticas do transporte e do retorno ao local de custódia, em aeronave da própria instituição ou comercial de carreira, com segurança e vigilância contínua policial por meio de escolta apropriada, sendo vedado o deslocamento em qualquer aeronave particular”, diz o documento.
A decisão libera o uso da estrutura da Polícia Federal para transportar o dono do Banco Master em oitiva na CAE. No documento, Mendonça pede a comunicação urgente à presidência da Comissão, à PF e à defesa do banqueiro “para que sejam adotadas as providências necessárias ao eventual deslocamento do investigado ao Senado Federal”.
Apesar da liberação, Vorcaro não é obrigado a prestar depoimento à Comissão, tendo em vista outra decisão de Mendonça que determinou que a oitiva era facultativa.
Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro é um dos alvos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na negociação envolvendo o Banco Master. As apurações ocorrem paralelamente à rejeição da compra do Banco Master pelo Banco Central do Brasil, anunciada em 3 de setembro de 2025. O órgão regulador barrou a operação após mais de cinco meses de análise.
O negócio, anunciado em março de 2025, previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Banco Master pelo BRB. A transação era considerada estratégica pela direção da instituição.
No entanto, o modelo de captação do Master e a qualidade de parte dos ativos já vinham sendo questionados por analistas do mercado financeiro, aumentando a desconfiança sobre a viabilidade da operação.
Documentos revelam que o Ministério Público Federal (MPF) havia recomendado ao BRB que comprovasse a lisura e a veracidade dos ativos do Banco Master antes de concluir qualquer negociação.
O órgão alertou para o risco de passivos ocultos e ativos inflados, o que poderia comprometer recursos públicos e gerar prejuízos significativos ao banco estatal.
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