“Reformulação” de escolas prejudica pais, alunos e professores de Goiânia

Jornal Opção apurou que apenas em uma unidade municipal, no Celina Park, 120 adolescentes deixarão de ser atendidos

Escola Municipal Deushaydes Rodrigues deixará de atender 120 alunos do 9º ano em 2018 | Foto: Mayara Carvalho/ Jornal Opção

A Secretaria Municipal de Educação, em reunião com a comunidade escolar do Residencial Celina Park, comunicou no dia 17 de novembro que as turmas “i” do clico 3, correspondente ao 9º ano, seriam fechadas na Escola Municipal Deushaydes Rodrigues.

A decisão, que para a comunidade foi tomada de forma arbitrária, afeta diretamente 120 alunos matriculados na unidade de ensino e que deixarão de ser atendidos. Mas o número pode chegar a 180 nos próximos dois anos já que, segundo informações repassadas pelos professores da escola, mais turmas serão fechadas em 2019 e 2020.

Estéfany e a mãe, Fabiana Alves| Foto: Mayara Carvalho / Jornal Opção

Fabiana Alves é mãe da Estéfany, aluna do 8º ano na escola, e não sabe onde a filha vai estudar no próximo ano. “Não tem outro lugar pra estudar se ela tiver que sair daqui. Nós estamos sem direção sobre o que fazer… Estamos pedindo a Deus que a prefeitura toque o coração e resolva não fechar essas turmas”, desabafou.

A família mora numa casa que fica em frente à unidade educacional. Estéfany, que há dois anos estuda na escola, vai a pé para aula todos os dias.

No lugar das turmas que serão fechadas, a Escola Municipal Deushaydes vai receber alunos da educação infantil, crianças de 4 e 5 anos, que passarão a ser matriculadas no local.

Werllen Pires é professor de geografia na escola há 8 anos, ele conta que a estrutura da unidade foi pensada para atender alunos do 1º ao 9º ano, ou seja, alunos maiores de 6 anos de idade.

“A escola não está preparada para receber as crianças menores. Nem a estrutura física, como escadas, pias, banheiros, e nem o próprio quadro de professores”, analisa.

Estrutura Inadequada

Banheiro de um escola da rede municipal onde já foi implantada a educação infantil. Crianças precisam ficar na ponta dos pés para conseguir lavar as mãos | Foto: Werllen Pires

O professor conta ainda que em outra unidade de ensino onde é coordenador já foi implantada a educação infantil. Para ele, a falta de estrutura adequada põe em risco a vida das crianças.

“No segundo andar da escola tem uma grade de proteção que nós temos que deixar funcionários à disposição para vigiar os aluno o tempo todo, porque as crianças podem cair de lá”, alertou.

Indignado com as mudanças que a educação vem enfrentando, questiona: “Será que vamos ter que esperar que um acidente fatal aconteça? Será que vai precisar que uma criança morra na escola pra prefeitura tomar providência?”

Lucimar Alves também mãe de aluno matriculado na Escola Deushaydes e não concorda com as mudanças impostas.

“Crianças de 4 e 5 anos nessa escola onde estudam crianças maiores? Eu sinceramente, como mãe, não gostaria que meu filho pequeno estudasse aqui. Estão descobrindo um santo para cobrir outro. E os outros alunos, vão para onde?”

Resposta

Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação, que afirmou que a escola está preparada para receber os alunos de 4 anos no início do ano letivo. Segundo a nota, o recurso para as adequações necessários será obtido na próxima semana.

Veja a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Educação e Esporte de Goiânia informa que a Escola Municipal Deushaydes Rodrigues de Oliveira estará preparada para receber os alunos de 4 anos no início do ano letivo. Na próxima semana, a unidade receberá recurso para realizar as adequações necessárias.

A Secretaria informa, ainda, que, na região, a rede estadual conta com a Escola Deputado José Luciano, para onde todos os alunos do 9º ano que manifestaram interesse foram automaticamente transferidos.

SME

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