Rede Sustentabilidade repudia intervenção política na reitoria da UFG

A nomeação de Angelita Pereira de Lima vem causando polêmica por ter sido uma intervenção direta do presidente Jair Bolsonaro na Universidade

Na manhã da terça-feira, 11, foi divulgado no Diário Oficial da União (DOU), a nomeação da diretora da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), Angelita Pereira de Lima, como nova reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG). A escolha gerou controvérsia, pois desrespeitou a votação democrática feita pela UFG, que havia elegido Sandramara Matias Chaves para assumir o cargo. A Rede de Sustentabilidade de Goiás, mostrou apoio à Universidade com uma nota de repudiando a intervenção de Jair Bolsonaro (PL) na decisão da reitoria.

“Sem autonomia para a escolha democrática do cargo máximo da universidade, consideramos que o princípio esteja prejudicado na sua integralidade e, por consequência, a democracia esmorece. O conhecimento acadêmico e científico necessita de uma natureza livre para, livremente, produzir pensamentos e amadurecê-los. A autonomia das instituições, como a Universidade Federal de Goiás, deve ser instrumental, com espaço normativo próprio e que não pode ceder a interferências não concebidas por nossa Constituição democrática”, diz a nota de repúdio da Rede.

Até então, o que se esperava era que o Ministério da Educação (MEC) confirmasse a atual vice-reitora Sandramara Matias Chaves, a eleita pela comunidade acadêmica, como nova reitora da universidade. Isso, porque o nome de Angelita era o terceiro colocado na lista tríplice definida pelo Conselho Universitário (Consuni) no dia 18 de junho de 2021. Contudo, após uma intervenção do presidente, a escolha da Universidade não foi respeitada.

A própria Angelita Pereira, afirmou ao Jornal Opção que lamenta a decisão de Bolsonaro. “A gente fica entristecida pela não nomeação do primeiro nome na lista tríplice”, disse a professora. “Não podemos normalizar isso, que na história da UFG acontece pela primeira vez. Até então, os presidentes sempre respeitaram a escolha que a comunidade universitária faz para si mesma.” 

Confira a nota completa de repúdio da Rede Sustentabilidade:

A REDE SUSTENTABILIDADE GOIÁS repudia o decreto do Ministério da Educação, de 10 de janeiro de 2022, publicado no Diário Oficial da União, que nomeou a professora ANGELITA PEREIRA LIMA como Reitora da Universidade Federal de Goiás. Ressalte-se que a comunidade acadêmica da instituição havia escolhido a professora SANDRAMARA MARTINS CHAVES para o cargo, o que não foi respeitado pela decisão do governo federal. A Constituição de 1988, em seu Artigo 207, prevê a autonomia das Universidades: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.” Tal autonomia pressupõe uma base de formação livre do pensamento acadêmico e de gestão
administrativa de seus espaços. Sem autonomia para a escolha democrática do cargo máximo da universidade, consideramos que o princípio esteja prejudicado na sua integralidade e, por consequência, a democracia esmorece.
O conhecimento acadêmico e científico necessita de uma natureza livre para, livremente, produzir pensamentos e amadurecê-los. A autonomia das instituições, como a Universidade Federal de Goiás, deve ser instrumental, com
espaço normativo próprio e que não pode ceder a interferências não concebidas por nossa Constituição democrática.
A REDE SUSTENTABILIDADE GOIÁS se solidariza com a UFG e defende uma Universidade de natureza livre, com autonomia e democracia pulsantes!


Goiânia, 12 de Janeiro de 2022
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Executiva Estadual
REDE Sustentabilidade em Goiás

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