Reajuste na conta de luz do goiano deve ser de 21,94%

Anuncio deve ser feito pela Aneel na sexta-feira e entrar em vigor a partir do dia 12 deste mês. Representante da Celg avalia o porcentual como positivo, tendo em vista a média nacional que variou de 35% a 49%

Previsto para ter sido anunciado na última terça-feira (2/9), o anúncio anual dos reajustes das tarifas energéticas das concessionárias de todo o País ficou para a próxima sexta-feira (5). Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou reunião para discutir os possíveis porcentuais de reajuste. Consultado pelo Jornal Opção Online nesta quarta-feira (3) sobre as estimativas para Goiás, o vice-presidente da CelgPar e diretor de regulação da CelgD, Elie Chidiac, comemorou a expectativa de que o reajuste gire em torno de 21%, segundo ele, menor que a média nacional estabelecida entre 35% a 49% para Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, por exemplo.

A companhia goiana havia pedido anteriormente reajuste na ordem de 29%, mas readequou o porcentual para 21,94% após averiguar dados mais recentes do mercado de energia elétrica. “Essa é a última previsão, de ontem [terça-feira], que depois de anunciada deve entrar em vigor em meados de setembro e chegar ao consumidor na conta de novembro. É aproximadamente 40% inferior ao do resto do País”, afirma.

Os consumidores de energia elétrica em Goiás não têm suas contas reajustadas neste porte há cinco anos, por conta de penalidade imposta à Celg pelo Ministério de Minas e Energia por, no governo anterior, a companhia não ter conseguido realizar o equilíbrio financeiro. “O reajuste da tarifa não é do desejo da administração da Celg e independe de forças políticas. É fruto de um cálculo muito complexo e que é imposto pela Aneel todos os anos”, faz questão de ressaltar Chidiac.

Os cálculos para o reajuste levam em consideração o Índice de Reajuste Tarifário (IRT) Financeiro –– custos não gerenciáveis, como a aquisição da energia das hidrelétricas e termoelétricas –– e o IRT Econômico –– cálculo aproximado da receita necessária para cobrir custos e investimentos esperados para os próximos 12 meses.

Diante do reajuste prestes a ser incorporado na conta do consumidor goiano, a reportagem indagou Chidiac como fica a situação da redução nas tarifas de energia prometidas pelo governo federal e que entrou em vigor em fevereiro último. O vice-presidente pontua que a redução em torno de 15% a 20% (varia entre pessoa física e jurídica) não foi sentida este ano, por 2014 ter sido atípico, com o acionamento das termoelétricas. “Mas em 2015 o consumidor irá perceber essa diferença, como sentiu no início de 2014, mas então veio o período seco prolongado e dificultou”, diz.

Impacto positivo e investimentos

De acordo com Elie Chidiac, o impacto financeiro positivo na companhia a partir do reajuste deve ser de cerca de R$ 80 milhões mensais. Deste total, R$ 55 milhões serão gastos, também por mês, para pagar a energia adquirida pela empresa; e o restante, aproximadamente R$ 25 milhões, para investimento e expansão da rede.

“Esse reajuste também é importante para cobrir [os prejuízos] deste ano, que foi atípico, pois enfrentamos uma crise no setor energético causada pela escassez de água por conta do período seco prolongado e tivemos que recorrer às termoelétricas”, avalia Chidiac, emendando que as concessionárias do Brasil inteiro tiveram que pagar R$ 800 pelo Megawatt-hora (MWh), das termoelétricas, enquanto o valor da energia produzida pelas hidroelétricas fica em torno de R$ 180 pelo MWh. “Mesmo pagando o valor mais caro, as concessionárias tiveram que repassar ao consumidor no valor fixado atualmente, o que gera déficit de caixa”, frisa Elie Chidiac.

Valores pagos pela energia

O representante da Celg também acentua que, “em termos reais”, a tarifa paga pela fornecedora goiana para o fornecimento do serviço é uma das mais baratas do País, pois sai a R$ 293 o MWh, enquanto o valor mais caro é o das Centrais Elétricas do Pará, de R$ 480 o MWh. Os segundos estados cujos valores do MWh são os mais caros são Tocantins e Maranhão, a R$ 420. Em minas Gerais o custo é de R$ 396 e o MWh da Bahia é o que mais se aproxima do de Goiás, e custa R$ 336 –– R$ 43 a mais. “Esses dados são os mais recentes da Aneel, divulgados nesta segunda-feira”, informa Elie Chidiac.

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