Quem são os três “zagueirões” de Temer contra denúncia

Os deputados Carlos Marun, Darcísio Perondi e Beto Mansur formam a tropa de choque na defesa do presidente na votação marcada para esta 4ª-feira na Câmara 

Carlos Marun, Darcísio Perondi e Beto Mansur | Fotos: reprodução/ Câmara Federal

Nas últimas semanas, três deputados se destacaram nas articulações pela defesa política de Michel Temer (PMDB-SP) na Câmara Federal. São eles Carlos Marun (PMDB-MS), Darcísio Perondi (PMDB-RS) e Beto Mansur (PRB-SP), que formam a chamada “tropa de choque” do presidente. As informações que seguem compilam texto do G1, publicada nesta terça-feira (1/8), véspera da sessão que votará a denúncia da Procuradoria Geral da República contra Temer.

A situação do presidente se complica mais diante de um cenário político adverso para o presidente, com popularidade baixíssima de 5%. Em que pese isso, Temer tem chances reais de sucesso na votação graças ao trabalho de Marun, Perondi e Mansur. O trio tem se reunido diariamente com o presidente no Palácio do Planalto e no Palácio do Jaburu.

Eles fazem discursos para defender Temer e concedem entrevistas – várias vezes ao dia. São eles os principais responsáveis por procurar os deputados indecisos e convencê-los a votar contra a denúncia.

O presidente foi denunciado pela PGR ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva com base nas delações dos goianos Joesley e Wesley Batista, da JBS. O STF só poderá analisar a denúncia se a Câmara autorizar.

No plenário, os deputados analisarão o parecer aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomenda a rejeição da denúncia.

Trinca ‘parada dura’

Em seu primeiro mandato de deputado, o peemedebista gaúcho de 56 anos ganhou notoriedade nacional em 2015, quando se tornou um dos principais defensores do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi cassado e está preso. Foi um dos raros aliados que não abandonou Cunha no ano passado e defendeu o colega até à cassação do mandato do ex-presidente da Casa pelo plenário.

Marun construiu a carreira política no Mato Grosso do Sul, galgando posições desde vereador, deputado estadual e secretário de Habitação. Eleito para a Câmara com 91,8 mil votos.

O gaúcho é descendente de libaneses, assim como Temer, e se aproximou do presidente durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. A relação entre eles se estreitou. Marun ganhou, por exemplo, a presidência da comissão especial que analisou a reforma da Previdência Social, um dos principais projetos do governo Temer.

Marun é um fiel cão de guarda na defesa dos amigos: “Eu tenho me colocado em diversas situações que são polêmicas. Fui defensor de que Cunha não deveria ser cassado no processo pelo qual ele foi cassado, depois veio a reforma da Previdência e agora essa. De todas, a mais tranquila tem sido a de defender o presidente Temer”.

‘Porta-voz’

Também gaúcho, Darcísio Perondi é tido como o “porta-voz” de Temer na Câmara. Em seu sexto mandato, teve 109,8 mil votos nas eleições de 2014. É amigo de Temer há mais de 20 anos.

A relação política entre os dois se estreitou em 1996, quando Perondi pedia para acompanhar as reuniões de Temer sobre a reforma da Previdência proposta pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Quando o governo apresentou uma nova proposta de reforma, no ano passado, ele passou a ser um dos principais defensores.

Em 2016, Darcísio Perondi foi escolhido relator de uma das principais propostas do governo para a área econômica, a PEC que estabeleceu o teto para o aumento dos gastos públicos, aprovada no fim do ano passado.

No mês de julho, em pleno recesso parlamentar, Perondi “tirou serviço” em Brasília nas articulações pró-Temer para convencer deputados a votar contra a denúncia. Ele frequentou diariamente o Salão Verde da Câmara dos Deputados, que, durante o recesso, costuma ser ocupado somente por jornalistas.

“Sem o Michel, o Brasil afunda. Sem o Michel, as reformas param. O Brasil não aguenta uma nova troca de presidente”, afirma Darcísio Perondi, que não por acaso foi um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff.

É um “atleta” e diz que não abre mão dos exercícios físicos. Entre 6h30 e 8 horas, todos os dias, se dedica a fazer pilates, corrida e musculação.

‘O calculista’

deputado Beto Mansur ganhou a alcunha de “homem dos mapas e gráficos”. Carrega na carteira um pen-drive contendo os dados que projeta sobre a votação da denúncia. O levantamento atualizado todos os dias e as informações são enviadas a Temer e aos ministros da coordenação política, como Eliseu Padilha (Casa Civil), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

“A gente evita falar publicamente em placar, mas o presidente tem os votos para derrubar a denúncia”, diz Beto Mansur.

Aos 66 anos, Mansur é ex-prefeito de Santos e está no quinto mandato de deputado federal. Em 2014, recebeu parcos 31,3 mil votos. Foi eleito graças ao caminhão de votos de Celso Russomanno (PRB-SP), que teve 1,5 milhão de votos.

A facilidade com números tem explicação. Mansur, além de radialista e empresário, é engenheiro eletrônico. “A formação me garantiu lidar bem com a matemática. Então, facilita na hora de fazer o mapa do plenário”, afirma.

Mansur e seus mapas ganharam projeção no impeachment de Dilma, quando ele também montou planilhas para mapear o placar da votação. Gosta de lembrar que errou por um voto – foram 367 pelo prosseguimento do caso e o parlamentar havia previsto 368.

De lá para cá, as planilhas de Beto Mansur, hoje vice-líder do governo, passaram a ser consultadas em votações como a da PEC do Teto e a da reforma trabalhista.

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