Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Quem não vacina os filhos contra o sarampo comete crime contra a saúde pública

Campanha começa nesta segunda-feira, 7, em meio a surto e mortes causada pela baixa cobertura vacinal – que se alimenta de falta de informação e teorias não comprovadas

Bonde tombado durante a revolta da vacina | Foto: Casa Ruy Barbosa/Divulgação

Começou nesta segunda-feira, 7, a campanha nacional de vacinação contra o sarampo. Doença que era considerada erradicada, ela volta com surtos em vários Estados. Até agora, foram registradas nove mortes e mais de 5,2 mil casos – com quadros graves.

A ameaça do sarampo voltou a rondar o Brasil – e outros países – graças a uma junção de fatores que levaram a cair drasticamente a cobertura vacinal. Um deles é que o registro da infecção despencou ao longo dos anos. Quando fantasma não assusta, a guarda baixa. Outro fator é o boicote às vacinas, alimentado por teorias nunca comprovadas e que vão de encontro ao que é consenso científico.

Cientistas do mundo todo estão preocupados com o movimento antivacina. Muitos dos adeptos acreditam que elas estão por trás do aumento de outros problemas, como o autismo, por exemplo. Nenhum estudo sério atesta tais hipóteses – ao contrário. Além do sarampo, outros inimigos que pareciam eliminados voltam a preocupar as autoridades de saúde, como a poliomielite, a rubéola e a difteria.

O momento lembra a Revolta da Vacina. No início do século 20, uma campanha para imunização contra a varíola, liderada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, causou forte reação de parte dos moradores do Rio de Janeiro. Fatores políticos e desinformação se juntaram e levaram à balbúrdia nas ruas da então capital brasileira. Quase 120 anos depois, o contexto é outro. O programa de vacinação brasileiro é reconhecido internacionalmente por seus resultados positivos.

As decisões individuais devem ser sempre protegidas. Quem decide não tomar certo medicamento para tratar de uma doença, o faz no âmbito íntimo. Mas quem decide não tomar a vacinar ou não vacinar os filhos contribui para a cadeia de transmissão de um vírus altamente contagioso. Assim, comete um crime contra a saúde pública.

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