Quadrilha cobrava até R$ 90 mil por vaga em faculdade de medicina

Esquema sofisticado funcionava há anos e dava garantia de aprovação aos “clientes”, usando alta tecnologia para fraudar as provas 

A quadrilha goiana que há anos promovia um esquema de fraude em vestibulares de medicina em Goiás e em outros estados cobrava até R$ 90 mil por uma vaga no curso tão concorrido. O esquema, desvendado pela Operação Monge deflagrada pela Polícia Civil de Goiás nesta sexta-feira (7/7), atendeu mais de 110 estudantes só no último ano.

De acordo com a investigação, a confiança era tanta no esquema criminoso, que o estudante podia realizar quantas provas fossem necessárias e só pagava o valor acordado depois da aprovação. Isto porque, a quadrilha fornecia as respostas da prova objetiva, mas o candidato ainda corria o risco de ser reprovado em na prova de redação.

Dos alunos que comprovadamente fraudaram as provas, 52 conseguiram aprovação e estão matriculados. Multiplicando o valor pelo valor de R$ 80 mil por aluno, a Polícia estima que a movimentação de dinheiro da quadrilha nos últimos meses pode chegar a R$ 5 milhões.

Foi constatado que o “piloto”, ou seja, a pessoa contratada para fazer a prova e depois passar as respostas, recebia até R$ 20 mil por vestibular e um aliciador ganhava até R$ 10 mil por cada “cliente” que conseguiam cooptar

Com a operação, cinco integrantes da quadrilha foram presos e outros quatro continuam foragidos. A investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas constatou que o homem apontado como chefe da quadrilha, o empresário Rogério Cardoso de Matos, preso nesta sexta, e seus dois filhos, Rodolfo e Ricardo Gomes Matos, foragidos, levavam uma vida de luxo em Goiânia.

Normalmente, eles usavam aparelhos de celular simples que eram entregues aos vestibulandos para poderem checar o gabarito da prova no banheiro. Mas nos últimos meses, a quadrilha vinha buscando refinar o método de fraude, com a utilização de aparelhos Smartwatch que custam, em média R$ 2 mil.

A partir do desmantelamento da quadrilha, as pessoas comprovadamente envolvidas no esquema, ou seja, alunos e pais que solicitaram o serviço, deve ser indiciados por fraude em certame em certame de interesse público.

A investigação apurou ação da organização criminosa nas duas últimas provas de vestibular, de 2016 e 2017, da Universidade de Rio Verde (UniRV), localizada em Goianésia e Aparecida de Goiânia, na Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), em Minas Gerais, na Universidade Católica de Brasília (UCB) e também na Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac), em Brasília (DF).

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