“PSDB perde tempo ao não entregar cargos”, lamenta deputado tucano

Fabio Sousa declara voto favorável à admissibilidade da denúncia da PGR contra Michel Temer e diz que partido não precisa ocupar ministérios para votar a favor das reformas

Deputado federal Fábio Sousa | Foto: Zeca Ribeiro/ Agência Câmara

Engrossando o coro de tucanos que defendem a saída do PSDB do governo Michel Temer (PMDB), o deputado goiano Fábio Sousa afirmou neste sábado ao Jornal Opção que votará favorável à admissibilidade da denúncia por crime de corrupção passiva contra Temer, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e que tramita na Câmara dos Deputados.

Para o parlamentar, que sempre defendeu que o PSDB não fizesse parte do governo, o crescimento do movimento anti-governista dentro do PSDB não é uma incoerência do partido, que hoje ocupa quatro ministérios, mas sim uma “resposta aos novos fatos”.

“No meu caso, sempre defendi que o PSDB não estivesse atrelado ao governo. Mas os deputados que agora estão mudando de opinião, o fazem diante de um fato grave que antes não existia, que é a denúncia da PGR. Não vejo como incoerência” defendeu. Sousa acrescentou que não apenas acha que o PSDB deveria deixar os ministérios que ocupa, como também acredita que o partido “perde tempo” em não fazê-lo.

“Não só deveria entregar os cargos. Está perdendo tempo em não fazê-lo. Não precisamos de cargos para apoiar medidas que o governo venha a propor e que considerarmos benéficas ao País. Isso seria fisiologismo”, disse citando as reformas trabalhista, tributária e o limite de gastos, já aprovado.

Temer foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS.

Para ser processado criminalmente no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da República tem uma proteção especial inerente ao cargo, o pedido precisa ser autorizado pela Câmara dos Deputados. É uma proteção para que o ocupante do cargo não seja perseguido ou retirado do cargo apenas pelo Judiciário, precisando da autorização do Legislativo.

A análise da denúncia deve começar na próxima segunda-feira (10/7) às 14h30, quando será lido o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). E, se o calendário da comissão for cumprido, os deputados têm condição de votar o processo na quinta-feira (13) à noite.

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