O advogado Helder Paiva, que representa os responsáveis pelo prédio conhecido como “Redondo do Araguaia”, afirmou ao Jornal Opção que duas possibilidades estão em análise para o imóvel: a instalação de lajes corporativas ou a criação de apartamentos para aluguel por temporada.

A definição deve ocorrer ainda neste mês ou em novembro. Após a escolha, será apresentado um projeto à Prefeitura de Goiânia, que precisará aprovar a mudança de finalidade da construção, originalmente projetada para abrigar consultórios. A atual proprietária é a Tambury Participações, empresa sediada em Aparecida de Goiânia e fundada em 2004.

Segundo Helder, a intenção é acelerar a recuperação do imóvel para evitar que o investimento se transforme em prejuízo. “Quanto mais tempo passa, o dinheiro que eles já empregaram começa a virar prejuízo. A pressa faz parte aqui do negócio também”, afirmou.

O advogado ressalta, porém, que a execução depende da definição do projeto, da adequação dos alvarás e da aprovação da Prefeitura. O prédio foi comprado há cerca de dois anos e passou pelas mãos de diferentes proprietários. Helder não revelou os valores envolvidos na aquisição nem os investimentos já realizados. “Passou na mão de uns três. Vai passando pelas pessoas que compravam, também não davam o segmento”, relatou.

De acordo com o advogado, os impostos estão em dia e não há impedimentos jurídicos ou problemas estruturais que inviabilizem o aproveitamento do imóvel. Na avaliação dele, as iniciativas anteriores não avançaram por falta de gestão ou de investimentos.

Helder afirma que a estrutura foi submetida a avaliações técnicas. “Uma das primeiras coisas que eles fizeram foi um levantamento com duas empresas, as duas mais conceituadas do estado de Goiás com relação à estrutura, e todas as duas apontaram a idoneidade da obra”, disse.

Advogado contesta associação entre abandono e criminalidade

O advogado também contestou a associação entre imóveis abandonados e problemas como a ocupação por pessoas em situação de rua e o tráfico de drogas.

“Essa história do imóvel abandonado que as pessoas imputam uma visão, na minha interpretação, míope, de que o imóvel abandonado favorece ao morador de rua, ao mocó, à venda de drogas. Isso, na minha opinião, é equivocado”, declarou.

Para Helder, a situação não é exclusiva de Goiânia e também representa um desafio para grandes metrópoles como São Paulo, Nova York e Paris. Ele criticou a responsabilização dos proprietários por problemas sociais associados à ocupação irregular de imóveis.

“Colocar a culpa nesse tipo de situação no prédio, na alvenaria, o prédio está lá paradinho, está fechado, cercado, os proprietários tomando conta, pagando imposto, a pessoa invade lá para dentro, e aí o enfoque é que o prédio está se tornando um mocó, precisa demolir o prédio. Isso é uma aberração, isso é uma absurda”, afirmou.

Ao concluir, o advogado defendeu que a questão seja tratada como um problema social, sem atribuir a responsabilidade exclusivamente aos donos dos imóveis ou ao poder público.

“A gente tampar os olhos e tentar jogar o problema para a alvenaria, para o prédio, para os donos do prédio, uma vez que o problema não é nem da prefeitura exclusivamente, é um problema da sociedade”, disse.

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