Projetos estratégicos do Ministério da Defesa são atingidos pelos cortes do governo

Pasta deverá sofrer quase 40% de contingenciamento por conta do ajuste fiscal que prevê cortar R$ 70 bilhões

 Linha de produção do blindado Guarani em Sete Lagoas (MG) | Foto: reprodução

Linha de produção do blindado Guarani em Sete Lagoas (MG) | Foto: reprodução

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, afirmou à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados que os projetos estratégicos de sua pasta não podem sofrer cortes orçamentários com o contingenciamento que foram anunciados nesta sexta-feira (22/5), pela presidente Dilma Rousseff (PT).

Ele explicou, para uma sala repleta de militares, que o Orçamento da Defesa está previsto em R$ 78 bilhões, sendo que mais da metade é reservada para o custeio de pessoal. São R$ 25 bilhões de despesas com o pessoal da ativa e R$ 27 bilhões para o pagamento de inativos e pensionistas. Cerca de R$ 22,1 bilhões são os recursos reservados para custeio e treinamento.

O governo federal decidiu contingenciar R$ 69,946 bilhões do Orçamento Geral da União. O número foi divulgado na tarde desta sexta-feira pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, e pelo secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Barbosa Saintive. Em termos nominais, este foi o maior contingenciamento de recursos da história do País.

O titular da pasta de Defesa defendeu a necessidade de não haver grandes cortes orçamentários em seu ministério para manter os projetos macroeconômicos estratégicos. Os principais programas em andamento são os blindados sobre rodas (6×6) de transporte de tropa Guarani para o Exército Brasileiro, os submarinos nuclear e convencional da Marinha do Brasil, os 36 caças Gripen NG comprados da sueca Saab para Força Aérea Brasileira e os helicópteros Eurocopter EC-735 Caracal para as três Forças.

A Produção do modelo Guarani, por exemplo, após junho, depende de novas encomendas do Exército. A Iveco Latin America, subsidiária da CNH Industrial, cogita agora paralisar as atividades na fábrica de veículos de defesa, localizada em Sete Lagoas (MG). A suspensão das atividades poderá ocorrer já no mês que vem, caso a empresa não receba do Exército Brasileiro novas encomendas do blindado Guarani. A medida seria mais uma consequência do contingenciamento proposto pelo governo federal, em busca do ajuste fiscal.

A fábrica de veículos de defesa da Iveco foi inaugurada em junho de 2013, mediante inversões de R$ 100 milhões, com o objetivo de atender a demanda do Exército Brasileiro. Desde então, 132 unidades do modelo Guarani foram entregues. A planta tem capacidade para a produção de 115 unidades anuais, podendo chegar a 200.

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