Professores goianos consideram tema da redação do Enem atual e pertinente

Dissertação foi em torno da publicidade infantil e surpreendeu alguns alunos. Especialistas garantem que não deve ser motivo de preocupação

Foto: Marcos Santos / USP Imagens / Fotos Públicas

Foto: Marcos Santos / USP Imagens / Fotos Públicas

A prova de redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), realizado no último fim de semana, teve como tema central a publicidade infantil. Considerado pela maioria dos candidatos como um assunto razoavelmente fácil e atual, a questão levou um texto jornalístico discutindo sobre a proibição do assunto e outro sobre as crianças como consumidores do futuro, bem como um infográfico com a publicidade voltada ao público infantil no mundo. Embora tido como não complexo, tema pegou muitos de surpresa.

Professor de Redação do Colégio Protrágoras, Wellington Lemes elogia o tema e destaca sua relevância em 2014. “É uma questão oportuna. Desde maio deste ano, este assunto esteve na mídia em função de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)”, conta.

Tal documento foi emitido pelo órgão, que considera abusiva a publicidade infantil. “Fiz questão de levar o tópico para a sala de aula: vale a pena proibir a publicidade voltada para crianças? É este o caminho”, questiona o professor, autor de um simulado de redação acerca do tema.

Já Marlon Cassio, que leciona a matéria no Colégio Dinâmico, considera que alguns alunos foram pegos de surpresa, pois não vivem efetivamente a situação cotidianamente. “É uma questão pertinente e atual sim, em decorrência do mundo capitalista, onde a criança tem se tornado cada vez mais um alvo em meio a publicidade”, explica.

No entanto, ele ressalta a quantidade de assuntos que tiveram mais atenção e, consequentemente, estiveram mais presentes na mídia nos últimos meses. “Falou-se muito na crise hídrica, na mulher no século XXI e também no processo de justiçamento no Brasil”, lembrou Marlon.

wendellFacebookOK

Professor Wendell Sullyvan (Foto: reprodução / Facebook)

Colega de Marlon no Colégio Visão, o também professor de Redação do Colégio Olimpo Wendell Sullyvan tranquiliza os alunos que não esperavam a temática na prova. “O fato não é necessariamente um problema. Ainda que o trabalho com assuntos próximos possa tranquilizar o vestibulando, o mais importante é o modo como o aluno foi preparado para estruturar o texto, elegendo tese e ideias secundárias e desenvolvendo bem cada tópico frasal com estratégias argumentativas a partir de seu conhecimento prévio”, explica ele.

Para Wendell, a escolha só reforça uma característica das provas do instituto: “temática de caráter social e relacionada aos direitos humanos”. O que, na opinião do docente, é algo natural e reflexo de discussões atuais no Brasil, como “sociedade e consumo”, “juventude e individualismo”, “inversão de valores na sociedade atual” e “consumo consciente e sustentável”.

“Reflexões sobre a atuação de instituições como o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), das empresas de televisão, que devem cumprir com sua função social […] e de ONGs como o Instituto Akatu – que atua na área do chamado Consumo Consciente”, elenca Wendell sobre as possíveis abordagens escolhidas pelos que fizeram o exame.

Sobre a coletânea que continha informações sobre o tema, o professor Marlon afirma que elas têm a finalidade de guiar o aluno e nem tanto informá-lo sobre o assunto. “Creio que as apresentações de dados ajudam a mobilizar uma linha de pensamento para o aluno. Serve de guia e de suporte para ele pensar”, finaliza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.