Procura por vacinas diminuem e especialistas alertam para volta de doenças graves

Médicos consideram que falta de informação aliada a notícias falsas vêm afastando população do calendário de vacinas
Médicos Infectologistas Cristiane Kobal e Boa Ventura Braz | Foto: reprodução

Em uma realidade em que crescem os movimentos antivacinas, especialistas alertam para a importância da imunização de doenças que já possuem anticorpos disponíveis. Nas últimas semanas, a nova campanha de vacinação da gripe, por exemplo, alcançou apenas 11% do esperado. Médicos Infectologistas ouvidos pelo Jornal Opção destacam a necessidade da população acompanhar o calendário de vacina por toda a vida.

Para além do calendário de vacinação durante a primeira infância, a atenção com as imunizações precisam continuar nos anos posteriores, ao longo de toda a vida. Entretanto fatores diversos vêm afastando a população desses cuidados. Para a médica infectologista Cristiane Kobal, a falta de informação e os mitos são os principais agentes ligados à baixa taxa de imunização.

Segundo a infectologista, o foco no calendário de vacinas das crianças deve ser prioridade, já que muitas doenças a serem evitadas na infância podem se instalar com maior agressividade quando manifestadas na fase adulta. Cristiane Kobal  cita a vacina contra o vírus Varicela-Zóster, popularmente conhecido como Catapora.

“Isso ocorre devido a fatores inerentes à interação entre os vírus e os organismo das pessoas, que passam por muitas mudanças ao longo da vida”, acrescenta Christiane.

Falta de divulgação também é fator destacado pela doutora, que acredita que parte da população ainda desconhece a disponibilidade de determinas vacinas. Cristiane finaliza citando o medo por vacinas injetáveis, que também pode ser classificado como dificuldade na busca pela imunização da população.

Movimentos Antivacina

Conforme definido pelo médico infectologista Boa Ventura de Queiroz, as ideias que fizeram nascer o movimento antivacina giram em torno de boatos e teorias imprecisas sobre efeitos colaterais e ou diferentes para seu propósito das imunizações.

Na Europa o número de adeptos do movimento é crescente e já há efeitos visíveis. Em 2018, a Itália sofreu um surto de sarampo, com mais de 4 mil casos em apenas um mês. A doença, que matava mais de 2 milhões de crianças por ano no mundo na década de 1990, foi erradicada no Brasil em 2001.

Apesar do Brasil não ter um número significativo de adeptos ao movimento, os efeitos de suas teorias começam a ganhar força.

Vacinas não disponíveis pelo SUS

Com o avanço da ciência, o número de vacinas existentes é cada vez maior. Apesar disso o sistema público não disponibiliza todas para a população. Segundo Cristiane Kobal o fator é o custo benefício estudado pelo Ministério da Saúde.

Entretanto, Cristiane diz que é preciso buscar outros meios de imunização, já que vacinas contra o HPV, por exemplo, devem ser tomadas por homens e mulher independente da idade. Pelo SUS a vacina só é disponibilizada para meninos e meninas até os 13 anos.

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