Presidentes de subseções criticam vídeo de apoio de Lúcio Flávio a candidato

Dirigente da OAB-GO aparece ao lado de postulante a vereador por Goiânia, dentro do gabinete da presidência 

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Presidentes Francisco Sena da Silva, Ronivan Peixoto de Morais Junior e Rainer Cabral Siqueira | Fotos: reprodução

Presidentes de subseções da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás criticaram, em entrevista ao Jornal Opção, a decisão do presidente da seccional, Lúcio Flávio de Paiva, de gravar um vídeo em apoio a um candidato a vereador por Goiânia.

O material foi divulgado na noite da última segunda-feira (19/9) e causou polêmica nas redes sociais. Nele, o dirigente da OAB-GO aparece ao lado do postulante, com adesivo de campanha no peito, tecendo-lhe diversos elogios e atestando sua confiança.

“Conheço o Hélmiton [Prateado, do PSL] há muito tempo e posso dizer que é um jornalista combativo, um homem de bem e que representa a renovação. O eleitor que escolhê-lo terá um homem da melhor qualidade no parlamento goiano”, afirma.

Para o presidente da subseção de Aparecida de Goiânia, Francisco Sena da Silva, a Ordem deve ser independente e apartidária, defendendo os interesses da advocacia como um todo. “Suponhamos que o candidato fosse um advogado, escolhido em uma assembleia ou debatido com os colegas para defender a classe na Câmara, acho que seria válido o apoio coletivo. Agora, um apoio pessoal dentro da Ordem? Muito triste”, afirmou.

Sena critica ainda a posição do presidente ao Jornal Opção, que, em resposta às críticas, afirmou que não pediu votos nem declarou apoio a Hélmiton: “Não foi a contento, mais uma vez faltou humildade para pedir desculpas. Faltou grandeza e insiste em achar que a atitude está correta”.

Da subseção de Anápolis, Ronivan Peixoto de Morais Junior concorda que o Lúcio Flávio tem o direito de se manifestar como cidadão, mas tal apoio deveria ser fora da instituição. “Foi deplorável, ao menos. Adesivado, utilizando nome da profissão para uma pessoa que sequer é advogado. Temos mais de 15 colegas candidatos em Anápolis, mas não declaramos apoio a nenhum deles”, lamenta.

O presidente anapolino afirma que a repercussão está extremamente negativa e Lúcio Flávio precisa se retratar. “Ele pode até dizer que não pediu votos, que não declarou apoio, mas é claro que isso ficou subliminar. Acredito que haja possibilidade de questionamento tanto para o candidato, na Justiça Eleitoral, quanto ao presidente, no Conselho de Ética”, completou.

“Recebi com bastante surpresa, fiquei perplexo quando vi porque o cidadão Lúcio Flávio tem todo direito e dever de se posicionar em questões políticas e expressar suas opções políticas, mas enquanto presidente da Ordem, ainda mais na sede, foi inapropriada, eu tenho minhas preferências, mas jamais iria confundir a figura da presidente com a figura do cidadão”, opina Gary Elder da Costa Chaves, presidente da subseção.

Até aliados do presidente da OAB-GO não receberam bem a atitude. Declaradamente “apoiador” de Lúcio Flávio, Rainer Cabral Siqueira, presidente da subseção de Quirinópolis, considerou o vídeo “ruim” para a Ordem. “Ele deve comparecer publicamente e manifestar a respeito desse fato de suposto apoio, que não sucumbe aos olhos da advocacia. Dar uma explicação que convença e esteja à altura da advocacia”, defendeu.

Resposta

Em resposta ao Jornal Opção, o presidente da OAB-GO afirmou que não considera o vídeo como uma demonstração de apoio, muito menos um pedido de voto. Ele relatou que Hélmiton o visitou em seu gabinete e pediu para que gravasse o vídeo.

“Não é apoio. Ele fez uma visita ao meu gabinete e solicitou se poderia fazer a gravação. Me certifiquei de não pedir votos em nenhum momento do vídeo. Eu o conheço há muito tempo e faria a mesma coisa a qualquer candidato que atestasse sua boa índole”, explicou à reportagem, na noite da última segunda-feira (19).

 

 

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