Goiano Jovair Arantes garante que partido não deve mudar posicionamento após denúncias da PGR contra Temer

Jovair Arantes, durante entrevista ao Jornal Opção em 2016 | Foto: Fernando Leite

Líder da bancada do PTB na Câmara Federal, o goiano Jovair Arantes afirmou, em entrevista ao Jornal Opção, que o presidente Michel Temer (PMDB) é uma figura “intocável” no momento atual.

A afirmação vem após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), que acusa o peemedebista de corrupção passiva e de ter recebido recursos indevidos da J&F, holding que controla a JBS Friboi.

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Segundo Jovair Arantes, a tendência é que o Congresso rejeite o pedido de investigação contra Temer — o que, caso aprovado, o afastaria do cargo por 180 dias. “Temos que pensar no Brasil. Não estou dizendo que o presidente não pode ser objeto de investigação, só que, neste momento, é muito nocivo uma ruptura. Seria muito maléfico ao país”, explicou.

O entendimento dos partidos da base aliada, incluindo o PTB do deputado goiano, é que, como a eleição presidencial está a pouco mais de um ano, é melhor manter Temer no Planalto, aprovar as reformas propostas (da Previdência e Trabalhista) e evitar mais turbulência.

Questionado se um caminho não seria antecipar o pleito de 2018, Jovair Arantes refutou veementemente. “É inconstitucional. Temos que fazer as coisas com base na Constituição. Eleição já é ano que vem, aí troca o presidente e, depois disso, coloca Temer para encontro de contas com a Justiça. Ele e quem mais estiver no processo”, arrematou.

Ainda nesta semana, o PTB deve realizar uma reunião entre a bancada e a direção do partido para reafirmar apoio ao governo e a “responsabilidade com o Brasil”.

Denúncia 

Rodrigo Janot apresentou denúncia contra Temer | Foto Lula Marques/ AGPT

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou na última segunda-feira (26) o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS.

O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também foi denunciado pelo mesmo crime. Loures foi preso no dia 3 de junho por determinação do ministro Edson Fachin. Em abril, Loures foi flagrado recebendo uma mala contendo R$ 500 mil, que teria sido enviada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS.

Para o procurador, Temer usou Rocha Loures para receber vantagens indevidas. “Entre os meses de março a abril de 2017, com vontade livre e consciente, o Presidente da República Michel Miguel Temer Lulia, valendo-se de sua condição de chefe do Poder Executivo e liderança política nacional, recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Santos da Rocha Loures, vantagem indevida de R$ 500.000 ofertada por Joesley Batista, presidente da sociedade empresária J&F Investimentos S.A., cujo pagamento foi realizado pelo executivo da J&F Ricardo Saud”, afirma a denúncia.

Mesmo com a chegada da denúncia, o STF não poderá analisar a questão antes de uma decisão prévia da Câmara dos Deputados. De acordo com a Constituição, a denúncia apresentada contra Temer somente poderá ser analisada após a aceitação de 342 deputados, o equivalente a dois terços do número de deputados da Câmara.

Se a acusação for admitida pelos parlamentares, o processo voltará ao Supremo para ser julgado. No caso de recebimento da denúncia na Corte, o presidente se tornará réu e será afastado do cargo por 180 dias. Se for rejeitada pelos deputados, a denúncia da PGR será arquivada e não poderá ser analisada pelo Supremo.