Presidente diz que não vê problema em investigado ocupar cargo de confiança na Comurg

Denes Pereira minimizou fato do diretor de Operações, Ormando José Pires, ter tido bens bloqueados pela Justiça em suposto esquema de funcionários fantasmas

Vereadores Paulo Daher e Jorge Kajuru; o presidente da Comurg, Denes Pereira; e a vereadora Priscilla Tejota | Foto: reprodução

Atualizada às 16h58 de 8/2 para acréscimo de informação

Novo presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Denes Pereira (PRTB) minimizou a escolha do ex-presidente Ormando José Pires, investigado em pelo menos duas ações envolvendo denúncias de funcionários fantasmas e de recebimento de supersalários, para a diretoria de Operação da estatal.

Em reunião com os vereadores Jorge Kajuru (PRP), Priscilla Tejota (PSD) e Paulo Daher (DEM), ele rebateu a recomendação do Ministério Público do Estado de Goiás, que sugeriu que, embora não tenha sido condenado em segunda instância, a exoneração de Ormando do cargo de confiança seria uma “questão moral”.

“Não sinto assim. A Justiça vai ter todo o trâmite, e ele terá chance de provar sua inocência. É um funcionário da Casa, tem grande conhecimento do serviço operacional e tem ajudado a Companhia. Eu não sou a pessoa correta para julgar”, argumentou.

A explicação foi questionada por Kajuru e Priscilla Tejota, que insistiram na moralidade da escolha do prefeito da capital, Iris Rezende (PMDB). “Não entro no detalhe moralmente, posso falar da parte técnica apenas”, replicou o presidente. Ormando José Pires e o ex-chefe do Departamento de Pessoal Waterson Fidéles Corrêa tiveram R$ 8 milhões em bens bloqueados pela Justiça em meados de 2015, acusados de manter esquema de 129 funcionários fantasmas lotados na estatal.

Um dos órgãos mais questionados pela Justiça e que esteve na mira do MPGO por sucessivas denúncias de corrupção durante as gestões PMDB-PT em Goiânia, a Comurg passa por um momento delicado: segundo Denes Pereira, há um “rombo” de R$ 57 milhões e déficit mensal de R$ 6 milhões. Sem explicar de onde viria o montante, disse que a determinação de Iris é para economizar. Atualmente, há cerca de 8,2 mil funcionários.

Como vai?

Ainda durante a reunião, Jorge Kajuru colocou o presidente Denes Pereira em uma verdadeira saia justa ao questionar sobre seu chefe de gabinete, Luiz Carlos da Silva Júnior, o Júnior Café. Veja o diálogo abaixo:

Jorge Kajuru: “E seu chefe de gabinete, está tudo bem com ele?”
Denes Pereira: “Está sim, tudo bem, tudo 100%”
Kajuru: “Porque ele estava sendo investigado pelo Ministério Público Federal”
Denes Pereira: “É mesmo? Meu chefe de gabinete? Não tenho conhecimento”
Kajuru: “Não? Como não? Ministério Público Federal e Polícia Federal. Ele inclusive mandou resposta ao meu gabinete que a PF já o absolveu, mas o MPF continua investigando. É importante o sr. saber”
Denes Pereira: “O que posso dizer é que é um funcionário de carreira, é um cidadão preparado, onde passou pela prefeitura foi muito elogiado por todos”
Kajuru: “Ele vai ter que falar isso é para o Ministério Público Federal”
Denes: “Conheço ele, conheço a pessoa”
Kajuru: “Foi o sr. que o escolheu?”
Denes: “Sim, escolha minha”
Kajuru: “E o sr. escolheu mesmo sabendo que estava sendo investigado?”
Denes: “Não, porque eu sabia que ele tinha sido absolvido”
Kajuru: “Mas absolvido em uma parte, continua sendo investigado”
Denes: “Não tenho conhecimento disso”

Segundo o vereador pelo PRP, Júnior Café — que estava na sala no momento da conversa — é investigado no esquema de desvios da merenda escolar na prefeitura de Goiânia durante a gestão do ex-prefeito, Paulo Garcia (PT).

Resposta

O chefe de gabinete da Comurg, Luiz Carlos da Silva Júnior, o Júnior Café, enviou nota ao Jornal Opção na qual rebate as acusações feitas pelo vereador Jorge Kajuru (PRP). Segundo ele, não existe nenhuma ação no Ministério Público Federal ou Estadual envolvendo seu nome e “muito menos citação em esquema de desvios de verbas na merenda escolar da Prefeitura de Goiânia”.

Presidente do Diretório Metropolitano do PRTB há 11 anos e funcionário de carreira municipal por mais de 15, Júnior Café diz que, na verdade. trata-se de outra pessoa.

 

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