Presidente de sindicato defende criação de Fundo Municipal do Transporte

Décio Caetano afirmou que modelo em que só usuário arca com a tarifa é insustentável. Para ele, dinheiro também ajudaria a melhorar infraestrutura

Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Depoente desta sexta-feira (25/8) na Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Transportes, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte (SET), Décio Caetano, elogiou algumas das propostas dos vereadores, em especial a criação do Fundo Municipal de Transporte. Para ele, o subsídio do fundo poderia ajudar a custear o sistema e diminuir reajustes na tarifa.

Isso porque, atualmente, segundo Décio, o transporte público é custeado somente pelo próprio usuário, sem que o poder público arque com parte das despesas. Recentemente, o governador Marconi Perillo (PSDB) conseguiu conter o aumento da tarifa ao resolver custear o Passe Livre Estudantil, mas a medida ainda não cobre as necessidades das empresas.

“Contratualmente, a tarifa teria que ter sido reajustada em fevereiro, mas houve um subsídio parcial daquele valor, então tem que se definir a forma desse reajuste”, explica Décio. Para fazer esse cálculo, o SET pediu à Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), que reavalie o preço, considerando o desconto do valor que o Estado está subsidiando.

A previsão de Décio é que, como houve aumento no preço do combustível desde fevereiro, quando o reajuste estava previsto para R$ 4, o valor deve ficar um pouco acima disso. “A qualidade está diretamente relacionada ao valor que é cobrado. Mas o usuário não quer pagar uma tarifa mais cara, daí a necessidade de subsídio”, pontua.

O fundo também seria importante, pontua, para melhorar a qualidade do transporte – o que, para ele, é o motivo da queda no número de usuários em Goiânia. “Nos últimos dois anos perdemos mais de 25% da demanda. Isso não é pelo preço, é pela qualidade. Por que que o usuário hoje não está usando o ônibus? Porque não tem confiança, não sabe que hora o ônibus vai passar, quanto tempo ele vai gastar para chegar ao seu destino”, lista ele.

“Esse modelo da tarifa hoje em que todo o custo do transporte é pago pelo usuário, é insustentável. Esse fundo viria fazer ponto de ônibus, corredores exclusivos, custear as gratuidades. É importante que ele venha no sentido de diminuir o impacto do reajuste da tarifa”, afirmou Décio.

Para garantir um bom funcionamento do transporte público, para Décio, é preciso tratá-lo como prioridade.  “A gente sempre pega a referência de São Paulo onde, hoje, a velocidade comercial de um ônibus é em torno de 20 km/h. Aqui nós estamos com 12, 13 km. Então, o transporte hoje é mais congestionado aqui que em São Paulo”, sustentou.

“Mas o que São Paulo fez de diferente nesses últimos anos? Corredores. E talvez seja uma das poucas cidades em que está aumentando a demanda. Então não é aumentar ônibus, é aumentar viagens. Se aumentar ônibus, vai ser mais ônibus no congestionamento”, explica o presidente.  “Hoje todo mundo quer transporte individual, mas esse modelo é insustentável.”

Tarifa diferenciada

Uma das principais discussões da CEI é a criação de uma tarifa diferenciada para as cidades e a região metropolitana, ou seja, um preço para quem faz viagens dentro da Grande Goiânia, por exemplo, e outro para quem viaja de Goianira para a capital. Na opinião dos vereadores que integram o colegiado, não é justo que os dois usuários paguem o mesmo valor.

Décio concorda, mas afirma que qualquer mudança nesse sentido precisa ser feita com cautela, principalmente para evitar prejuízos ao usuário que mora na periferia. “Ao mesmo tempo que a gente defende a diferenciação tarifária, nós defendemos que esse fundo que está sendo proposto cubra essa diferença. Porque não seria justo para o usuário que mora, por exemplo, na periferia de Trindade e trabalha em Goiânia”, argumentou.

A tarifa diferenciada, afirma Décio, existe em todas as regiões metropolitanas do Brasil e, em Goiânia, foi extinta há cerca de dez anos e depois da criação de um subsídio para as cidades em volta. “Só que com o crescimento da Região Metropolitana, esse valor hoje é insuficiente. Mas é preciso ter uma equação para equilibrar do sistema, com o poder público assumindo essa diferença para não onerar o usuário da periferia que, teoricamente, seria o mais carente.”

 

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