Presidente de associação de avicultores diz que produtores goianos não têm motivos para temer expansão da JBS

A holding da família Friboi tem investido pesadamente no segmento pelo menos desde 2009, sobretudo por meio de aquisições de pequenas e médias empresas

frangoEm entrevista recente ao Jornal Opção, o empresário e ex-pré-candidato ao governo do Estado, Júnior Friboi, declarou que deixou de lado seus projetos políticos, ao menos momentaneamente,  para se dedicar, sobretudo, com os negócios da família na produção de frango e celulose. A notícia deixou de cabelo em pé alguns avicultores que atuam no Estado, por medo de que suas empresas acabem engolidas pela gigante frigorífica.

A holding da família Friboi tem investido pesadamente no segmento pelo menos desde 2009, sobretudo por meio de aquisições de pequenos e médias empresas. Entre as compras recentes, destacam-se a de uma central de incubação de pintinhos e a granja de matrizes da Big Frango, do Paraná, por um valor não divulgado; a totalidade da Agrovêneto, por R$ 128 milhões; a do grupo paulista Céu Azul, incluindo duas fábricas de ração e três incubatórios, por R$ 246 milhões; e a da americana Pilgrim’s Pride, que até sua compra, cinco anos atrás, era a maior processadora de aves do mundo.

A aquisição da Seara, divisão de aves, suínos e alimentos processados da Marfrig, por R$ 5,85 bilhões, em junho de 2013, foi a responsável por tornar a JBS a líder global isolada para o setor de aves. Anteriormente o posto era dividido com a americana Tyson. Esta última, por sua vez, foi absorvida no dia 28 de julho deste ano por US$ 575 milhões. Atualmente, a holding goiana abate cerca de 12,5 milhões de aves diariamente.

Apesar dos números impressionantes, ainda não há motivo para as pequenas produtoras se alarmarem, atesta o presidente da Associação Goiana de Avicultores (AGA), Uacir Bernardes. De acordo com ele, as aquisições tornaram a JBS, que já era grande no ramo da produção de proteína animal, a se tornar uma gigante.

Apesar disso, diz, não é possível avaliar o reflexo dessa expansão no país. “Não sabemos ainda o que isso quer dizer para os produtores brasileiros”, afirma.

Segundo ele, as empresas pequenas devem, ao menos por enquanto, se manter despreocupadas. Como atuam em mercados menores e em âmbito regional, seus negócios não devem ser impactados.

“Porém, há riscos das médias para cima. Mas é o mercado quem vai dizer o que vai acontecer”, avalia. Ele lembra que a JBS disputa o posto de maior produtora de alimentos do país com outra empresa de grande porte, a BRF, formada pela junção entre Sadia e Perdigão.

Questionado se haveria motivos para preocupação, Uacir é enfático: “Preocupação sempre existe, porque é concorrência. Também tratam-se de duas gigantes. Como dizem, quando dois elefantes brigam, quem perde é a grama.”

O presidente da Super Frango — empresa de Itaberaí e uma das maiores do setor em Goiás –, Zé Garrote, quando consultado pelo Jornal Opção Online, preferiu adotar uma postura amistosa. Ele disse que os investimentos da JBS são bem-vindas no Estado, já que promovem a geração de empregos.

Segundo o empresário, desde que as possíveis aquisições de empresas goianas pela JBS sejam feitas de forma regular e fiscalizada, não há mal nenhum nesse procedimento. “Se for tudo controlado pelo Cade, não há problemas. Cada um faz seu trabalho como acha que deve ser feito”, afirma.

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geocerbeth Castro. ( Bebeto)

Gostaria de saber qual o valor do Kiko do frango ou a caixa fechada. Quero trabalhar neste ramo. ( galeteria).