Presidência: deputado neoeleito aconselha vereadores da oposição; base se aperta entre eleição e IPTU/ITU

Com prazo para realização do pleito se aproximando, conversas esquentam e candidatos devem ser definidos neste fim de semana

Vereadores Célia Valadão (PMDB), Dra. Cristina (PSDB), Elias Vaz (PSB) e atual presidente, Clécio Alves (PMDB) | Foto: Alberto Maia

Vereadores Célia Valadão (PMDB), Dra. Cristina (PSDB), Elias Vaz (PSB) e atual presidente, Clécio Alves (PMDB) | Foto: Alberto Maia

As articulações em busca de apoio para a eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Goiânia estão ficando mais intensas. Há uma semana do prazo final exigido pelo regimento interno para que seja realizado o pleito, no dia 11, vereadores da base e da oposição ao prefeito da capital, Paulo Garcia (PT), se movimentam para definir a composição das chapas.

De jantar a jantar, os parlamentares correm, se articulam,  perdem calorias e ganham quilos a mais. Oposicionistas e integrantes do Bloco Moderado se reuniram na manhã desta quinta-feira (4/12) para definir local, data e horário de novos encontros.  E o mais importante: como se dará a distribuição de cargos como presidente, vice e secretários. Na pauta, ainda se fala de quem irá comandar comissões prestigiadas, como a de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), a Mista e a Orçamentária.

A oposição busca em um experiente ex-vereador que tentou eleger-se à presidência, mas foi fritado duas vezes por não agradar o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). Estariam deste lado o chamado grupão, que tem de 20 a 22 nomes, número o suficiente para ganhar a principal cadeira do Poder Legislativo.

A conversa, segundo a fonte, não pretende impor nomes, mas concentra-se em eleger um candidato do grupo. “A discussão é simples: o presidente vai sair desses 22 nomes. Não tem um candidato específico. Mas o que construir um consenso dentre eles será eleito”, relatou o consultado ao Jornal Opção Online.

A regra é simples: quem quiser ser eleito pela oposição tem que fazer parte dela, sem chegar impondo uma candidatura, “entrando desarmado”. Os que pretendem concorrer não podem articular de maneira isolada, pontuou, e quem tentar fazê-lo, irá perder.

Ressaltando que a escolha não pode sofrer interferência do Executivo municipal, o ex-vereador diz que aquele presidente que compor com a prefeitura será desmoralizado. “O Paulo Garcia [PT] tem que fazer sua base, e não o presidente, pois o mesmo só vota projetos de interesse do Paço Municipal em caso de empate. Se o prefeito tiver um aliado na presidência, será incoerência”.

Com a pauta de votação de projetos praticamente enxuta — o mais polêmico é o do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU/ITU), que está travado na CCJ –, a atenção dos vereadores está direcionada para a eleição interna. A sessão de hoje, por exemplo, foi encerrada às 10h30.

De acordo com Cristina Lopes (PSDB), a conquista de apoios para a oposição evoluiu de nove parlamentares para 16. Dentre eles os que formam o Bloco Moderado, coalizão mais cobiçada. Formam o grupo Zander Fábio (PSL), Divino Rodrigues e Paulo da Farmácia (Pros) e Bernardo do Cais (PSC). Para esse pleito reforçam ainda Welington Peixoto (Pros), Paulo Magalhães (SD), Rogério Cruz (PRB) e Felizberto Tavares (PT).  “Estamos em busca de um consenso”, comentou a vereadora.

Pretenso candidato, o tucano Geovani Antônio destacou que nas duas últimas reuniões seus colegas de partido (Thiago Albernaz, Cristina Lopes, Anselmo Pereira e Dr. Gian) e Tatiana Lemos (PCdoB), Fábio Lima (PRTB), Pedro Azulão Jr. e Elias Vaz (PSB), Virmondes Cruvinel (PSD) e Djalma Araújo (SD) mostraram interesse em apoiar um candidato que venha do grupo. “Nós temos um pensamento convergente na mesa diretora que queremos, para os vereadores, que fortaleça o trabalho do parlamentar e tenha postura imparcial”, avaliou.

Elias Vaz concorda com o tucano e afirma que não está preocupado em estabelecer um nome. E sim conseguir uma candidatura que represente uma postura coesa. “É uma questão de defender que a Câmara não seja uma extensão da prefeitura, independente. A meta é encontrar um perfil e não efetivamente um nome”, avaliou o pessebista, citando que o presidente pode ser da base ou da oposição. O que está atrapalhando a definição, segundo ele, é a votação do reajuste do IPTU/ITU.

Base aliada

A base de sustentação do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, segue dividida entre as articulações para aprovar a atualização do imposto na íntegra e escolher um nome que agregue para concorrer à presidência. Mizair Lemes Júnior vê que todos os vereadores são pré-candidatos. E reforça a tese defendida por Elias Vaz: a votação do novo IPTU/ITU está travando as negociações. “Está faltando conversa por parte daqueles que concorrem. Não teve mais, ficou parado.” Presidente do PMDB metropolitano, ele sublinha que um candidato ideal seria o que conseguisse consenso entre base, oposição e Bloco Moderado.

Os peemedebistas Clécio Alves, atual presidente, e Célia Valadão, liderança do Governo, se dispõem a disputar o cargo. A bancada agendou uma reunião no gabinete de Izídio Alves (PMDB)  para esta manhã, pós sessão, mas Clécio Alves não poderia comparecer.  Célia Valadão, candidata assumida, pede votos, porém observa que o processo caminha de forma complexa. “Estamos a conversar, alguns nos procuram. Mas o caminho é esgotar as possibilidades de diálogo até entendermos como podemos contribuir”, argumentou.

Antônio Uchôa (PSL) analisa que todas as definições feitas precocemente não têm sucesso. Experiente na Casa, ele diz que não há preferência em eleger um petista ou peemedebista, já que Carlos Soares, líder do PT, foi cotado “O prefeito vai conseguir eleger um presidente. Precisamos de um bom administrador que venha a entender os problemas da prefeitura. Agora, só há especulação”, falou, desconsiderando que o pouco tempo que falta para a eleição.

Jorge do Hugo é do mesmo partido e faz parte do grupo dos fiéis de Paulo Garcia. Até o momento, disse, não foi procurado por nenhum candidato. “E prefiro, vou esperar até os 45 minutos do segundo tempo.”

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