Mais de 68 milhões de brasileiros dizem conviver com o crime organizado no bairro, aponta Datafolha
11 maio 2026 às 12h22

COMPARTILHAR
Levantamento do instituto Datafolha divulgado neste domingo, 10, revela que 41% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmaram notar a presença do crime organizado nos bairros onde vivem. Segundo a publicação, esse percentual equivale a cerca 68,7 milhões de pessoas, considerando as estimativas de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os assuntos levantados está o medo da violência estratificada por sexo, raça/cor e classe social.

O estudo foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e faz parte de uma pesquisa intitulada “O medo do crime e as eleições 2026: os gatilhos da segurança”. Na análise dos dados, o Fórum afirma que que os números sugerem que a atuação dos grupos criminosos não é percebida como um fenômeno restrito a áreas específicas, mas sim como uma experiência socialmente disseminada.
Há uma diferença territorial importante para os dados: a percepção da presença de grupos criminosos são maiores em cidades grandes, sendo que 55,9% afirmam ver a atuação do crime organizado nas capitais, enquanto o percentual cai para 34,1% no interior.
Medos da população brasileira
Segundo o levantamento, os maiores medos da população brasileiro são de golpes pela internet ou praticados com o celular, que atinge 83,2% da população; roubo à mão armada (82,3%); ser morto durante assalto (80,7%) e ter o celular furtado ou roubado (78,8%).

No recorte de vítimas de crimes nos últimos 12 anos, a população negra demonstrou ter sofrido mais com a criminalidade, sendo que 15% relataram terem algum familiar ou conhecido assassinado, contra 9,8% entre brancos. Há ainda uma distância importante em ter sido ou ter algum conhecido vítima de bala perdida (10,1% entre negros e 8,4% entre brancos) e em ter sido roubado à mão armada (4,4% contra 2,9%).
Violência muda comportamento da populaçao
O medo da violência fez com ao menos um terço da população entrevistada tenha mudado algo na rotina nos últimos dois anos. Mudanças na rotina, deixar de sair a noite e deixar de sair com o celular por medo de ser assalto foram os três maiores indicadores, com 36,5%, 35,6 e 33,5% respectivamente.
A pesquisa demonstra uma preocupação cada vez maior com o medo de ter o celular roubado ou furtado, tendo em vista que os smartfones representam uma parte significativa no cotidiano, informações bancárias e contatos. O celular, na visão dos pesquisadores, conecta o crime do mundo físico e do mundo digital, possibilitando crimes virtuais e golpes bancários.
Leia também:
Caminhoneiro é preso suspeito de transportar 200 kg de drogas escondidos em pneus, em Itaberaí
Briga generalizada termina com dois esfaqueados e suspeito espancado no Centro de Goiânia


