Premiada pela Funarte, Nu Escuro apresenta “Plural” em quatro cidades goianas

Espetáculos Pitoresca e Gato Negro também serão apresentados em outras quatro capitais brasileiras

Espetáculo Nu Escuro | Foto: Layza Vasconcelas

Espetáculo Nu Escuro | Foto: Layza Vasconcelas

A veterana Companhia de Teatro Nu Escuro foi vencedora do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015. No ano que completa 20 anos de existência, o grupo vai circular os espetáculos que remetem à identidade goiana: Plural, Gato Negro e Pitoresca.

Em Goiás, eles apresentarão Plural em Águas Lindas no dia 6 de setembro, em Goiânia no dia 8, em Aparecida de Goiânia no dia 10 e em Pirenópolis no dia 15 de outubro. Gato Negro será apresentado em Manaus e Belém. Já Pitoresca chegará em João Pessoa e Recife. Em Goiânia, o espetáculo será apresentado no Teatro SESC com ingressos a R$15 (inteira). Nas demais cidades goianas a entrada é gratuita.

Esta é a sétima vez que ganham um prêmio da Funarte (3 Myriam Muniz, 3 Artes Cênicas na Rua e 1 Procultura). Desta vez, o projeto foi voltado para celebrar essas duas décadas de existência. O ator e diretor de produção do grupo, Lázaro Tuim, comemora o reconhecimento.

“A importância se dá pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Cia Nu Escuro em duas décadas de trabalho ininterruptos, desenvolvido no estado de Goiás com projeção nacional”, afirma.

Um pé lá, outro cá

A Cia de Teatro Nu Escuro celebra 20 anos de vida afirmando sua existência com produções que refletem “muitas sementes plantadas com suor de trabalho” nessas décadas.

Reconhecida em todo o Brasil, a companhia, somente neste ano, se apresentou em 17 cidades (oito Estados mais Distrito Federal). O outro “pé” do grupo, contudo, está bem fincado em chão goiano. Plural, Pitoresca e Gato Negro são as três últimas peças montadas que fazem parte da trilogia Goyaz, um trabalho de pesquisa estética e dramatúrgica sobre a identidade goiana.

“Ao apresentarmos esses espetáculos no Estado e fora dele, estamos querendo dialogar com variadas plateias em torno de buscarmos amplificar essa pesquisa e ao mesmo tempo mostrar as raízes de quem somos, em buscar de nos conhecermos cada vez mais e assim contribuir para a reflexão em torno de nossa diversidade social e cultural, o que nos une e o que nos diferencia”, comenta Tuim sobre a escolha da trilogia para circulação.

“Plural”

O espetáculo que será apresentado em quatro cidades goianas é uma trama tecida pelas histórias de uma menina chamada Maria. Suas primeiras recordações remetem aos seus sete anos, onde se distraia brincando com uma boneca de milho no terreiro de sua casa, enquanto sua avó cozinhava no fogão a lenha e lhe falava pela janela. A narrativa segue costurando memória em memória, fiando o universo rural ao urbano, bordando histórias vividas e sentidas, com seus encantos, medos, violências, coragens, lamentos e alegrias. Uma trama sempre tensionada entre o drama e a poesia, o trágico e o humor.

A Cia de Teatro Nu Escuro abre um baú de recordações a partir de relatos de seus familiares, criando um diálogo entre o factual e a ficção, para falar de uma parcela de mulheres que migraram principalmente de Minas para Goiás na promessa de melhoria de vida.

A peça fala sobre mulheres rurais que têm suas identidades forjadas em seu sangue: o negro, o índio, o branco. A dramaturgia foi concebida através de histórias e lembranças de mulheres que vivenciaram estas questões: Dona Lia, Dona Joaquina e Dona Vanilda, mães, respectivamente, de Izabela Nascente, Abilio Carrascal e Lázaro Tuim. E por meio destas três mulheres com vidas tão parecidas e, ao mesmo tempo, tão distintas, foi que construímos artesanalmente uma história PLURAL, a história da nossa protagonista Maria.

Para o espetáculo foram confeccionados bonecos forrados de tricô e de crochê, assim como os figurinos e cenários, com a intenção de criar um universo lúdico e poético que retrate o ambiente rural.

Atores e atrizes também cantam, dançam e tocam cantigas populares junto com os bonecos, como em uma brincadeira em que as linguagens cênicas do teatro de animação, músicas ao vivo e projeções de vídeos se cruzam em um calidoscópio infantil.

Sobre a companhia

A Cia de Teatro Nu Escuro é um grupo de atores/ encenadores que trabalha coletivamente, de forma horizontal e que no ano de 2016 completa 20 anos de trajetória, tendo montado 14 espetáculos e realizado inúmeras oficinas de formação profissional e de público em diversos estados brasileiros e também no exterior, consolidando-se como uma das principais companhias de teatro do Centro-Oeste.

O trabalho da Cia Nu Escuro está calcado no “Teatro de Grupo” e na formação de plateia. Mantém atualmente um repertório de cinco espetáculos e mais duas cenas curtas. Desta forma, o fazer teatral não se reduz a simples montagem de um espetáculo esporadicamente, mas com a tentativa de mantê-los em cartaz pelo maior tempo possível, com o intuito de, a cada dia, a cada apresentação e a cada troca de experiência com a plateia, poder aprofundar o debate a respeito do “homem” e suas significações no mundo contemporâneo.

A trajetória de pesquisas, os investimentos em novas linguagens e a cumplicidade com o público vem rendendo importantes frutos.

Em 2006, a Nu Escuro recebeu pelo segundo ano consecutivo o Prêmio de Teatro do Estado de Goiás, concedido pela Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, teve seus trabalhos selecionados para a Caravana Funarte, o Prêmio Funarte de Artes Cênicas na Rua e para o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, do Governo Federal. Foi Destaque Cultural de Goiás (2005) e recebeu Medalha de Mérito Cultural (2010), maior título dado aos artistas nos Estado de Goiás, ambos concedidos pelo Conselho Estadual de Cultura. No ano de 2015 a Cia de Teatro Nu Escuro participou da circulação nacional do Palco Giratório/SESC e entre 2014/2016 contou com o patrocínio da Petrobras.

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