Prefeitura derruba muro erguido por empresa e causa controvérsia no Setor Sul

Época Móveis cercou pequena área nos fundos da loja e aguardava acordo com prefeitura para resolver impasse

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Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

A Prefeitura de Goiânia derrubou, na tarde desta quinta-feira (1º/6), muro erguido em área pública pela Época Móveis, empresa de decoração, em uma viela paralela à Avenida 90, no Setor Sul. Com uma decisão judicial de reintegração de posse, a gestão Iris Rezende (PMDB) retomou o pequeno terreno que foi anexado há algum tempo aos fundos do imóvel.

Em entrevista ao Jornal Opção, a proprietária, Patrícia Sepulveda, lamentou a atitude truculenta e detalhou todo o imbróglio — que se arrasta por anos. Desde 1980 naquele local, a Época é uma das empresas mais renomadas no ramo moveleiro da cidade e tentou comprar uma parte da área pública justamente pela ausência de cuidado da prefeitura.

“Desde que abrimos a empresa há 36 anos, nossa intenção sempre foi cuidar da revitalização desta área interna, entre tantas outras no Setor Sul, áreas estas um tanto quanto esquecidas pelos órgãos públicos. No início, fizemos e executamos alguns projetos de paisagismo que não se mantiveram, em função de ter as plantas furtadas e a área depredada por moradores de rua. Por fim, muramos a parte de trás da loja, avançando sobre uma pequena parte da área pública e refizemos o paisagismo, com a intenção de preservá-lo, de melhorar a segurança do imóvel e de comprar da prefeitura este espaço para regularizar a situação”, defendeu.

Segundo ela, quando decidiram construir o muro aos fundos da empresa, foram até o Paço Municipal, comunicaram a prefeitura e demonstraram interesse em adquirir a área, que é pequena e não atrapalharia a circulação dos moradores pela via. No entanto, nunca conseguiram efetivamente concluir a negociação.

No começo do ano, a gestão Iris Rezende (PMDB) enviou uma notificação à direção da Época avisando que os muros deveriam ser destruídos e a área devolvida. Como já estavam com uma mostra de arquitetura — a Mostra Época Esperanzza — organizada e com data para abrir, solicitaram que esperassem até pelo menos o dia 15 de julho (quando acabaria o evento).

Local antes da reintegração de posse mostra o muro em pé | Foto: Google Maps

Dor de cabeça

Com a derrubada do muro, acompanhada pelo Jornal Opção, um dos ambientes da mostra da Época acabou sendo desfeito também, “prejudicando assim o trabalho do profissional que se empenhou para fazer o espaço, dos parceiros fornecedores e das pessoas que visitam o evento”.

Por fim, a proprietária da Época Móveis destacou outro problema que terá com a derrubada dos muro: como não havia paredes internas, apenas portas e janelas de vidro, a empresa precisará contratar segurança privada, pois não há mais uma separação entre a rua e a loja.

“Se tivessem atendido a nossa solicitação e aguardado o término da mostra, nos últimos quinze dias de julho, teríamos primeiro feito um novo fechamento dentro do limite da nossa área, para em seguida demolir o muro em questão, evitando assim todos os transtornos que temos que administrar agora. Espero sinceramente que a fiscalização proceda de igual forma com as demais áreas públicas ocupadas por residências e comércio em todo o Setor Sul”, sentenciou.

Com a palavra, a Prefeitura de Goiânia

Por meio de nota-resposta encaminhada à reportagem, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) se limitou a dizer que cumpriu uma decisão judicial e que outras áreas que foram invadidas estão sendo fiscalizadas e as medidas cabíveis serão tomadas.

Veja:

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) esclarece a Prefeitura de Goiânia apenas cumpriu a decisão judicial e que a empresa Época Móveis descumpriu o Código de Posturas do Município ao invadir a área pública. Com relação a outras áreas do município que foram invadidas, a PGM informa que existem processos de fiscalizações e quando necessário, as medidas cabíveis serão tomadas.

Assessoria de imprensa da Prefeitura de Goiânia

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