Prefeitura de Goiânia assina documento de combate à destruição ambiental

Metas estão em documento criado pelo Papa Francisco, que irá se reunir com 50 prefeitos. Paulo Garcia e mais seis gestores brasileiros vão apresentar proposta

 | Foto: Rimene Amaral/Prefeitura de Goiânia

Goiânia terá de cumprir metas nos próximos 15 anos | Foto: Rimene Amaral/Prefeitura de Goiânia

Goiânia será signatária da encíclica verde, documento lançado pelo Papa Francisco há quase um mês, e que será assinado na Itália, no próximo dia 21. O prefeito Paulo Garcia (PT) irá assinar a proposta juntamente com seis gestores de capitais brasileiras e mais 33 administradores de cidades ao redor do mundo.

O documento divulgado pelo Vaticano no último dia 18 de junho condena duramente o atual modelo de mercado mundial e propõe novos modos de vida. Inclusive fazendo críticas diretas ao capitalismo e ao livre mercado. Entre outros pontos, o pontífice condena na carta qualquer proposta de internacionalização da Amazônia porque isso só serviria aos interesses das multinacionais.

Na encíclica, o Papa concorda com os estudos científicos que apontam a ação humana como maior causadora do aquecimento global e reforça a tese de que, se nada for feito, o desabastecimento e o controle da água por grandes empresas se transformará em uma das principais fontes de conflitos das próximas décadas.

“Estaremos lá exatamente para discutir a encíclica verde, que faz abordagem contemporânea do que ele chama de escravidão moderna”, avalia Paulo Garcia. Também participam do encontro com o Papa os prefeitos de Nova Iorque, Istambul, Joanesburgo e Paris.

O prefeito de Goiânia disse ao Jornal Opção Online que tem se reunido previamente com os prefeitos Fernando Haddad (PT), de São Paulo; Eduardo Paes (PMDB), Rio de Janeiro; Gustavo Fruet (PDT), de Curitiba; José Fortunatti (licenciado do PDT), Porto Alegre; Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), de Salvador; e Marcio Lacerda (PSB), de Belo Horizonte. “Temos conversado por teleconferência para que possamos construir em consenso alguma proposta ao Papa Francisco.”

Repercussão

Organizações sociais de todo o mundo aprovaram a encíclica sobre meio ambiente. No documento, espécie de carta aos bispos, fiéis e a toda a população interessada, o Papa Francisco lembra que a poluição atmosférica provoca milhões de mortes prematuras, particularmente entre os mais pobres.

O Greenpeace, organização não governamental (ONG) de proteção ambiental, avalia que a proposta divulgada a menos de seis meses da 21ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, a COP-21, é forte sinal de que o mundo precisa de um acordo relevante para evitar que o meio ambiente continue sendo degradado. A organização aponta ainda que os líderes mundiais precisam dar uma resposta à altura do desafio climático, o que prova o Papa Francisco com a assinatura da carta. A conferência está agendada para dezembro, em Paris, na França.

Professor especializado em Jornalismo Ambiental e docente do Centro Universitário Ritter do Reis, Porto Alegre (RS), Roberto Villar Belmonte faz avaliação do documento papal. “Não se esperava esse alinhamento do Vaticano às ONGs. Me chamou a atenção que ele condena os créditos de carbono. Ele reafirma as responsabilidades comuns, mas diferenciadas, ou seja, somos todos responsáveis, só que os desenvolvidos são mais responsáveis porque poluem há mais tempo, mas questiona o mercado de créditos de carbono dizendo que isso é uma falsa solução. Ele diz que a solução não é o crescimento econômico. Ele avança mais do que o próprio Pnuma [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente]”, ressaltou.

O texto do Papa, de 200 páginas, pretende influenciar as decisões que serão tomadas em dezembro contra o aquecimento do planeta, um tema que preocupa muito 79% dos cidadãos, segundo uma pesquisa realizada de forma simultânea em 79 países. A encíclica — chamada Laudato Si (Louvado Seja) — convida a tomar ações concretas para frear este fenômeno provocado por uma exploração insensata e cujos efeitos atingem sobretudo os países mais pobres.

O texto será encaminhado à Organização das Nações Unidas (ONU) e, de lá, serão decididos os 15 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem cumpridos até 2030. Com isso, Goiânia terá de alcançar as metas do documento.

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