Prefeitos afirmam que deixaram PMDB como resposta à falta de diálogo e de propostas para Goiás

Chefes do Executivo reagiram duramente a “discurso atrasado” do presidente do partido no Estado, o deputado federal Daniel Vilela

Os prefeitos que deixaram o PMDB para se filiar a partidos da base de apoio do governador Marconi Perillo (PSDB) reagiram com veemência às críticas do deputado federal Daniel Vilela e afirmaram na noite desta sexta-feira (18/8) que a decisão é resultado de “condutas atrasadas” da legenda que “não se pautam pelo diálogo” e pela falta de propostas da direção peemedebista para o crescimento de Goiás. Seis dos dezenove prefeitos goianos que deixaram a sigla publicaram, em conjunto, a nota, repudiando as declarações de Daniel Vilela, presidente estadual do PMDB, e do deputado estadual, José Nelto.

“Não respeitaram a prerrogativa da livre escolha enquanto essência do processo democrático”, afirmaram. Eles acusaram Daniel Vilela de praticar “condutas atrasadas” e de tomar decisões unilaterais, sem dialogar com as bases. “Necessário esclarecer que a decisão de deixar o PMDB deve-se única e exclusivamente ao fato de não mais comungarmos com o pensamento e as práticas em curso, tendo por base condutas atrasadas e que não se pautam pelo diálogo e pela ação republicana”, alegaram.

De acordo com a nota, os atos de Daniel Vilela não condizem com o discurso propagado na época em que fez campanha para assumir o comando da legenda em Goiás, ocasião em que o deputado argumentava que o partido precisava renovar as práticas, em alusão à liderança de décadas que Iris Rezende e Dona Iris Araújo exerciam. “O atual comando do PMDB foi eleito com um discurso de modernidade, mas acabou por seguir os mesmos caminhos dos coronéis”.

Os prefeitos acusam o PMDB de estar lastreado em uma “fragilidade ideológica” e de não ter discurso. “O partido em nenhum momento apresentou uma alternativa viável para conduzir os rumos de Goiás. Pelo contrário, jamais foi propositivo. Além disso, se perdeu na luta interna, dividida pelos interesses de poder de seus líderes”.

De acordo com eles, “em nenhum momento” a celebração de convênios do programa Goiás na Frente influenciou a decisão. “Basta dizer que prefeitos como o de Goiânia, Iris Rezende, ou de Mineiros, Agenor Rezende, recebem investimentos do governo do Estado e nem por isso estariam obrigados a deixar o partido, e nem por isso são acusados de cooptação pela cúpula peemedebista. A nossa mudança de sigla tem por base o reconhecimento ao comportamento republicano do governador Marconi Perillo, a sua irrestrita disposição para o diálogo, bem como o tratamento e a deferência que recebemos”, argumentaram.

Assinaram a nota os prefeitos Adolpho Roberto Souza Von Lohrmann (Santo Antônio do Descoberto), Joelton Bernardo da Costa (Araçu), Osvaldo Moreira Vaz (Hidrolina), Edson Palmeiras dos Santos (Santa Tereza de Goiás), Márcia Bernardino de Souza Rezende (Araguapaz) e Sirleide Ramos Ferreira “Leide” (Santo Antônio da Barra).

Segue a nota na íntegra:

Nós, prefeitos do PMDB que formalizamos a decisão de deixar a legenda nesta quinta-feira (17/08), lamentamos profundamente as manifestações feitas pelo presidente estadual da sigla, Daniel Vilela, e pelo deputado estadual José Nelto, que não respeitaram a prerrogativa da livre escolha enquanto essência do processo democrático.

Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que a decisão de deixar o PMDB deve-se única e exclusivamente ao fato de não mais comungarmos com o pensamento e as práticas em curso, tendo por base condutas atrasadas e que não se pautam pelo diálogo e pela ação republicana.

O atual comando do PMDB foi eleito com um discurso de modernidade, mas acabou por seguir os mesmos caminhos dos coronéis. Além da fragilidade ideológica, o partido em nenhum momento apresentou uma alternativa viável para conduzir os rumos de Goiás. Pelo contrário, jamais foi propositivo. Além disso, se perdeu na luta interna, dividida pelos interesses de poder de seus líderes.

A decisão levou em conta, também, o fato de que a atual direção quer impor uma candidatura ao governo sem base, sem consistência e sem programa, que não sabe convergir, dialogar e construir, que vive no mundo atrasado do sectarismo político.

A manifestações ofensivas dos dirigentes do PMDB reforçam ainda mais as constatações de que não têm a menor consideração para com a história dos prefeitos e suas trajetórias de imensos serviços prestados às comunidades no decorrer de décadas.

É, igualmente, lamentável constatar que a direção do PMDB mede os outros pela sua régua, ao revelar que apenas quatros prefeitos da legenda, os que dirigem grandes municípios, têm valor e são reconhecidos. Ou seja, os demais não possuem qualidades, numa clara expressão discriminatória e preconceituosa, notadamente em relação às pequenas comunidades com todas as suas dificuldades e carências.

É necessário ressaltar que o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que formalizou convênios com o programa Goiás na Frente, declarou claramente que não existem pressões e que as parcerias são pautadas pelo respeito mútuo e pela ação compartilhada.
A propósito das acusações de chantagem, repudiamos com veemência esse comportamento agressivo e falacioso, ainda mais que não apresentaram prova alguma, o que denota incoerência, irresponsabilidade e desrespeito, uma ação típica de dirigentes que não representam os prefeitos.

Fazemos questão de destacar que, em nenhum momento, a celebração de convênios tendo por base os recursos do programa Goiás na Frente fundamentou a decisão de deixar o PMDB. Basta dizer que prefeitos como o de Goiânia, Iris Rezende, ou de Mineiros, Agenor Rezende, recebem investimentos do governo do Estado e nem por isso estariam obrigados a deixar o partido, e nem por isso são acusados de cooptação pela cúpula peemedebista.

A nossa mudança de sigla tem por base o reconhecimento ao comportamento republicano do governador Marconi Perillo, a sua irrestrita disposição para o diálogo, bem como o tratamento e a deferência que recebemos.

Queremos somar forças neste projeto que visa transformar o Estado a partir de suas bases, os municípios, uma ação inovadora, jamais vista no país, que leva em conta as necessidades da população justamente no lugar onde moram.

Goiás não pode ser vítima de retrocessos, não pode voltar atrás, precisa avançar no equilíbrio entre as regiões, para que também os pequenos e médios municípios possam crescer, gerar renda e empregos para suas famílias.

Desejamos boa sorte ao PMDB e aos seus filiados mas, a partir de agora, somamos forças no projeto liderado pelo Governo do Estado, por intermédio do governador Marconi Perillo, dentro do propósito maior de progredir na construção de um estado melhor, exemplo e referência para o Brasil.

Assinam em nome dos prefeitos que se desfiliaram do PMDB:

Adolpho Roberto Souza Von Lohrmann – Santo Antônio do Descoberto
Joelton Bernardo da Costa – Araçu
Osvaldo Moreira Vaz – Hidrolina
Edson Palmeiras dos Santos – Santa Tereza de Goiás
Márcia Bernardino de Souza Rezende – Araguapaz
Sirleide Ramos Ferreira (Leide) – Santo Antônio da Barra

1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Éder

Só acho que deveria perder o mandato, pois quando vereador, Deputado, perde o porque prefeito teve uma sigla pra ser eleito, e mais acredito que disputaram esse mandato com outros candidatos do PSDB ,é como o povo não tivesse opção de escolha pois se não elegeram os candidatos do PSDB é porque queria outro partido pra representá-los