Pré-candidatos à Prefeitura de Goiânia exploram pouco o potencial das redes sociais

Maioria dos políticos faz uso esporádico e pouco profissional do mundo digital. Em uma análise dos sete principais nomes, apenas dois se comunicam com eficiência 

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Os setes principais nomes à disputa à Prefeitura de Goiânia | Fotos: reprodução / Facebook / Assembleia Legislativa

A pouco mais de um ano das eleições para a Prefeitura de Goiânia, o Jornal Opção Online fez uma breve análise da presença dos principais possíveis candidatos ao pleito do próximo ano nas redes sociais.

Ferramenta que tem pautado os debates na sociedade e palco das discussões mais calorosas durante o período eleitoral do ano passado, é inegável que o mundo digital virou grande filão de empresas, marcas e, claro, políticos.

Se há cinco anos pouca (ou nenhuma) atenção era dada ao jovem meio de comunicação, hoje, o jogo virou. Além de empresas e profissionais especializados em mídias digitais, os próprios agentes públicos passam a compreender a importância de diversificar o discurso — para uma interação mais eficiente.

Embora o coordenador do maior estudo já realizado no Brasil sobre o comportamento de políticos brasileiros nas redes sociais, professor Wagner Meira (da UFMG), afirme que a presença deles no meio on-line ainda é quase nula, “com postagens raras e assuntos nem sempre relevantes”, há de se reconhecer uma mudança de comportamento.

O governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Ronaldo Caiado (DEM) são exemplos goianos de assiduidade no meio digital. Ambos estão ativos há um bom tempo no Twitter e no Facebook , fazendo postagens diárias, divulgando ações, expressando opinião e interagindo com seguidores.

Professor do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (Ipog) e especialista em Marketing Digital, Jayme Diogo explica que são justamente essas as características para uma comunicação de sucesso nas redes sociais. Segundo ele, figuras públicas, como políticos, devem utilizá-las para formar sua imagem na mente dos possíveis eleitores. “Carisma, entusiasmo e o fluxo constante são importantes para dar visibilidade. Quem não é visto, não é lembrado”, aponta.

Além disso, é importante analisar o conteúdo e em qual rede este será compartilhado. “Não é preciso estar em todas as redes sociais, mas é obrigatório entender a linguagem, as particularidades e o público de cada uma delas”, alerta Jayme, que complementa: “Jogar informações a esmo também é prejudicial. Por vezes, algumas marcas acabam ‘conversando sozinhas’ nas redes sociais devido a excessos. Equilíbrio e constância sempre”.

Entender o meio
Professora Simone Tuzzo defende o tripé da Comunicação | Foto: Reprodução / Facebook

Professora Simone Tuzzo defende o tripé da Comunicação | Foto: Reprodução / Facebook

Uma das grandes chaves para ter sucesso na comunicação on-line é saber se comunicar. Pode parecer clichê ou redundância, mas a grande maioria dos políticos ainda não sabe “conversar” com seu público virtual.

No estudo, Meira aponta que o Brasil ainda está na “idade da pedra”, se comparado aos Estados Unidos, onde o presidente democrata Barack Obama “inaugurou um novo mundo de como fazer uso da internet”. Obama utiliza com maestria as redes sociais, principalmente, para divulgar ações e “prestar contas”, sem perder o contato direto com aqueles que o elegeram.

Pesquisadora na construção de opinião pública, a professora doutora Simone Tuzzo, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFG, sustenta que o problema de alguns políticos brasileiros é que eles não sabem como se comunicar nas redes sociais. Segundo ela, é fundamental considerar o chamado tripé da Comunicação: “público, veículo e linguagem”, que é “indissociável para a construção de uma mensagem”.

“Existem públicos distintos que consomem mídias diferentes. É preciso que o candidato descubra onde está o seu público para falar com ele de maneira eficaz”, explica ela. Em se tratando do mundo on-line, a professora alerta que, embora haja a proliferação da telefonia móvel no Brasil, não significa, necessariamente, que a maioria da população está conectada.

No entanto, o fato não pode ser uma “desculpa” para que candidatos ignorem as redes sociais. Estas abrigam, hoje, um determinado filão de público, formado por uma faixa etária que vai de 17 a 25 anos e com uma renda mensal considerável. “Atualmente, toda a informação que esse grupo consome vem quase que em sua totalidade da internet. É um erro ignorá-lo ou achar que basta replicar a mensagem de outros meios de comunicação”, complementa.

A maneira como o candidato (ou político) utiliza das redes sociais é a chave para o sucesso: “Por que alguns conseguem alto engajamento dos usuários e outros não? A linguagem”. De acordo com Simone Tuzzo, o candidato tem que saber se comunicar em todas as plataformas. “Não se pode menosprezar nenhum tipo de veículo. Cada eleitor está em uma mídia diferente. Cada mídia é diferente e tem sua importância”, defende.

Dados do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) mostram que a faixa etária entre 16 e 25 anos representa cerca de 17% do eleitorado goianiense. Isso significa que, dos 937.761 eleitores do município de Goiânia, 157.747 fazem parte do grupo apontado pela professora. Evidentemente não se pode afirmar, com segurança, que todos eles só consomem informação via internet, mas uma boa parte, com certeza, sim.

Outro ponto importante destacado pela pesquisadora é que as redes sociais também têm seus nichos e, neles, formadores de opinião. “Não existe ‘comunicação de massa’. São determinados grupos que são influenciados por determinadas pessoas. Por isso a importância de um político construir um bom círculo de contatos”, justifica ela, que completa: “Vale ressaltar que as redes sociais são emoção pura, mais paixão do que razão. E, assim sendo, o político precisa transmitir emoção, criar identificação com seus ‘fãs'”.

Mas e 2016?

Para a avaliação, o Jornal Opção Online selecionou os sete principais nomes cotados para concorrer à eleição do ano que vem: Iris Rezende (PMDB), Adriana Accorsi (PT), Jayme Rincón (PSDB), Delegado Waldir (PSDB), Virmondes Cruvinel (PSD), Francisco Júnior (PSD) e Vanderlan Cardoso (PSB).

Todos eles, com exceção de Virmondes, possuem “fan pages” no Facebook, e perfis no Twitter. De um modo geral, os que têm mandato estão mais presentes nas redes sociais. Iris Rezende e Jayme Rincón (que é presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras, Agetop) são os que menos postam — sendo que a página do peemedebista é comandada por um “grupo”. Vanderlan Cardoso, por ter sido duas vezes candidato a governador e estar à frente da estadual do PSB, é mais assíduo.

O campeão de interatividade (e de popularidade) no Facebook é, sem dúvidas, o Delegado Waldir. Na verdade, grande parte do sucesso do deputado federal mais bem votado de Goiás em 2014 vem do mundo digital. De acordo com a SocialBakers — maior e mais respeitada empresa de análise de redes sociais no mundo —, o tucano é, nada mais nada menos, o 19º político mais curtido do Brasil.

Com base em uma métrica da SocialBakers, é possível determinar o nível de engajamento de uma página do Facebook. A avaliação é o resultado da divisão entre o número de “pessoas falando sobre” e a quantidade de curtidas da página. Na tabela abaixo, a ferramenta demonstra como entender o resultado:

engajamento

Pelo cálculo realizado pela equipe do Jornal Opção Online nesta sexta-feira (24/7), apenas Delegado Waldir (PSDB), Francisco Júnior (PSD) e Adriana Accorsi (PT) têm engajamento médio/alto.

Confira:

Virmondes Cruvinel (PSD)

virmondes-cruvinel

Facebook.com/DepVirmondes | 5 mil amigos / 7 mil seguidores
Taxa de engajamento: não é possível determinar
Twitter: @virmondes | 5925 – seguidores
Instagram: @depvirmondes | 4099 seguidores

Por ter apenas o perfil pessoal, Virmondes Cruvinel é um dos que faz uso mais plural e constante do Facebook. Posta não só notícias relativas a seu trabalho como deputado, mas também amenidades, como músicas, expressando opinião sobre determinados assuntos. No entanto, uma breve passada pelos comentários das postagens mostra que a interação com os contatos é pontual.

Francisco Júnior (PSD)

franciscojr

Facebook.com/FranciscoJrGO | 6.616 curtidas
Taxa de engajamento: média (0,04%) / alcance obtido (10%-20%)
Twitter: @franciscojr_go
Instagram: não tem

A maioria das postagens do deputado no Facebook dizem respeito à atividade parlamentar e mensagens bíblicas/motivacionais. Há também compartilhamentos de notícias. Como há poucos comentários, quase não se vê interação com os usuários.

Iris Rezende (PMDB)

iris-rezende

Facebook.com/IrisRezendeGov | 20.465 curtidas
Taxa de engajamento: baixa (0,0007%) / alcance obtido (menos de 10%)
Twitter: @irisrezendegov | 2.877 seguidores
Instagram: não tem

O ex-prefeito de Goiânia tem pouca atividade nas redes sociais. Na página “Iris Rezende Grupo”, mesmo com textos escritos na primeira pessoa, fica quase impossível acreditar que as postagens são feitas por Iris e não por assessores. De qualquer forma, os posts são feitos de vez em quando e não há nenhuma interação com os que curtem a página — mesmo com um considerável número de comentários.

O Twitter está abandonado desde outubro do ano passado — mais especificamente desde 26 de outubro, dia do 2º turno das Eleições 2014, quando ele foi novamente derrotado pelo governador Marconi Perillo (PSDB).

Vanderlan Cardoso (PSB)

vanderlan-cardoso

Facebook.com/VanderlanCardosoOficial | 60.038 curtidas
Taxa de engajamento: baixa (0,007%) / alcance obtido (menos de 10%)
Twitter: @Vanderlan40 | 5.080 seguidores
Instagram: @VanderlanCardosoOficial | 1.793

O ex-governadoriável por Goiás tem talvez o perfil mais profissionalizado dentre todos os pré-candidatos à Prefeitura de Goiânia. Com todas as informações completas, a página conta até com “Termos de Uso”, além de ter todas as redes sociais de Vanderlan linkadas. Ademais, as postagens têm frequência, são personalizadas e, mesmo que não seja o próprio no comando, todos os leitores são respondidos.

Adriana Accorsi (PT)

adriana-accorsi

Facebook.com/Delegada.Adriana.Accorsi | 10.657 curtidas
Taxa de engajamento: média (0,06%) / alcance obtido (10%-30%)
Twitter: @adriana_accorsi | 791 seguidores
Instagram: @adriana_accorsi | seguidores 5.012

Assim como outros políticos, Adriana Accorsi também mantém um perfil pessoal além da página, onde é mais ativa e interage mais com os contatos. Na página, a deputada/delegada divulga ações do mandato e notícias — principalmente sobre o governo federal.

Jayme Rincón (PSDB)

jayme-rincon

Facebook.com/JaymeRincon45 | 4.102 curtidas
Taxa de engajamento: baixa (0,001%) / alcance obtido (menos de 10%)
Twitter: @jaymerincon_ | 355 seguidores
Instagram: @jaymerincon_ | 1545 seguidores

O presidente da Agetop é pouco ativo nas redes sociais. Há dois perfis com seu nome no Twitter e ambos têm postagens apenas no mês passado. No entanto, ele tem um perfil pessoal no Facebook, no qual interage mais com os contatos.

Delegado Waldir Soares (PSDB)

delegado-waldir

Facebook.com/Delegado.Waldir | 530.612 curtidas
Taxa de engajamento: alta (0,6%) / alcance obtido (mais de 30%)
Twitter: @delegado_waldir
Instagram: @delegadowaldir | 9.108 seguidores

O Delegado Waldir é um fenômeno no Facebook. Com mais de 530 mil curtidas, é o 19º político mais curtido na rede social, à frente de grandes nomes da política nacional como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), o ex-senador petista Eduardo Suplicy (SP) e a ex-candidata do Psol à Presidência, Luciana Genro (RS).

Com forte apelo social, as postagens do deputado tucano são extremamente passionais e com uma grande diferença: escritas pelo próprio. O resultado, claro, é um alto engajamento, muitas curtidas e compartilhamentos.

É preciso lembrar que grande parte desses 530 mil fãs não são, necessariamente, de Goiânia — nem de Goiás.

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Wilson Junior

O que o Jornal Opção tem contra o Deputado Fabio Sousa, Ele também é pre candidato e em qualquer pesquisa está a frente da maioria desses citados, queria entender porque Vocês o ignoram?