“População vai continuar morrendo nas filas dos Cais de Goiânia”, diz médico

Movimento contrário ao novo edital de chamamento da gestão Iris anunciou nesta terça-feira que cessou as negociações  com pasta e sinaliza debandada da rede pública

O movimento “Médicos Unidos Pelo SUS” anunciou nesta terça-feira (4/4) que finalizou as negociações com a Prefeitura de Goiânia e cedeu às investidas da gestão para a rescisão contratual dos médicos credenciados à Saúde municipal.

Em nota, o grupo informa que, “em prol da união e da continuidade do movimento”, todos aqueles que se sentirem à vontade podem assinar o novo acordo contratual oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), sem a possibilidade de represália ou punição. (Confira o comunicado abaixo)

Até o início da tarde desta terça, cerca de 110 médicos haviam aderido ao edital de chamamento, que aguarda, ainda, a inscrição de, ao menos, mais 300 profissionais.

Em entrevista ao Jornal Opção, um dos médicos do movimento informou que dezenas de colegas devem deixar de atender pela rede pública do município, o que deve ocasionar em uma maior quantidade de médicos recém-formados atendendo na urgência e emergência das unidades de Saúde da capital.

Para o médico ouvido pela reportagem, a “derrota” da classe é também uma derrota da população. “Se tivéssemos tido uma vitória, a população seria beneficiada. As pessoas vão continuar morrendo nas filas dos Cais. Daqui um ano, quando nada tiver mudado, essa queda de braço vai mostrar que não estávamos errado”, desabafa.

O caso

O impasse entre os médicos e a prefeitura vem desde o último dia 23 de março, quando foi publicado no Diário Oficial do Município o novo edital para credenciamento dos médicos. Com a publicação, os profissionais entenderam que tiveram seus contratos rescindidos, o que foi negado pela SMS.

O edital causou polêmica e a categoria considerou o novo contrato lesivo aos direitos trabalhistas da classe. Após assembleia na última semana, os médicos esperavam que a prefeitura prorrogasse os contratos atuais para garantir o atendimento à população até que novo acordo fosse feito.

Entretanto, a SMS não atendeu à solicitação da categoria e não prorrogou os contratos como também afirmou que os profissionais credenciados deveriam continuar os atendimentos até o dia 22 de abril, quanto tem fim o prazo para adesão ao novo acordo.

Do outro lado, os médicos entenderam que, com a manutenção do edital de chamamento definida na sexta-feira (31), os contratos com a prefeitura se encerrariam no sábado (1°), o que continuou a afetar o atendimento na capital, conforme mostrou o Jornal Opção na segunda (3).

Após inúmeras tentativas de negociações frustradas, entretanto, os médicos resolveram, nesta terça-feira (4), recuar e interromper as negociações com a prefeitura em busca de um novo acordo contratual. Confira abaixo a íntegra da carta assinada pelo movimento “Médicos Unidos pelo SUS”:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.